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PEP, PrEP, coquetel: como funciona o tratamento gratuito do HIV pelo SUS

Tratamento do HIV pelo SUS é referência mundial (Foto: ERNESTO BENAVIDES/AFP via Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Medicamentos antirretrovirais podem impossibilitar transmissão da doença

  • Tratamento do SUS contra HIV/AIDS é referência mundial

A Constituição brasileira garante às pessoas que vivem com HIV, assim como a todos os outros brasileiros, o direito à dignidade humana e ao acesso à saúde pública. Por isso, a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que um soropositivo “é uma despesa para todos” causou indignação.

Uma das figuras que expressaram repúdio à fala do presidente foi o médico Drauzio Varella. Na edição desta semana do programa Roda Viva, da TV Cultura, ele classificou a declaração como “uma grosseria que não merece nem ser comentada”.

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De acordo com o boletim epidemiológico mais recente elaborado pelo Ministério da Saúde, há 300.496 casos notificados da infecção por HIV. A notificação só passou a ser obrigatória em 2014, o que indica que o número real pode ser ainda maior.

Através do Sistema Único de Saúde (SUS) o brasileiro que vive com HIV tem acesso gratuito aos mecanismos de tratamento da infecção: a prevenção, o diagnóstico e os medicamentos, que podem tornar o vírus indetectável – ou seja, impossibilitar a transmissão – e garantir a qualidade de vida.

Prevenção e diagnóstico

Em termos de prevenção, o SUS atua em diferentes abordagens. Além de distribuir gratuitamente preservativos, o sistema também realiza testagens gratuitas, e recomenda que elas sejam feitas regularmente por todos os que têm uma vida sexual ativa.

Existem, também, métodos de prevenção específicos para a parcela da população mais vulnerável ao vírus. São essas populações:

  • Homens que fazem sexo com homens

  • Pessoas trans

  • Trabalhadores e trabalhadoras do sexo

  • Pessoas que frequentemente deixam de usar preservativo em suas relações sexuais (anais ou vaginais)

  • Pessoas que têm relações sexuais sem preservativo com alguém que seja HIV positivo e não esteja em tratamento

  • Pessoas que fazem uso repetido de PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV)

  • Pessoas que apresentam casos frequentes de Infecções Sexualmente Transmissíveis

Para essa parcela da população, está disponível a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP HIV), um comprimido tomado diariamente que impede que o agente causador da aids infecte o organismo, caso a pessoa entre em contato com o vírus.

Tratamento

Caso o resultado do teste de HIV seja positivo, o SUS oferece também o tratamento para inibir a multiplicação do vírus no organismo. Com um diagnóstico rápido e a adesão aos medicamentos, é possível que a pessoa viva com o vírus e não com a doença AIDS (sigla para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, em inglês).

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), o Brasil tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral (TARV) entre os países de renda média e baixa. A distribuição dos medicamentos que tratam o HIV e evitam o enfraquecimento do sistema imunológico é garantida desde 1996. Desde 2013, as pessoas que vivem com o vírus podem passar a receber os medicamentos logo após o diagnóstico, antes mesmo de apresentar sintomas.

Hoje existem 37 combinações diferentes desses medicamentos. Essa combinação de três substâncias é o que popularmente recebe o nome “coquetel”. O médico é responsável por definir a melhor opção para cada paciente, para minimizar os efeitos colaterais e restaurar a qualidade de vida.