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A história 'horrível e chocante' de 750 túmulos descobertos em escola no Canadá

·2 minuto de leitura
Um ursinho de pelúcia está sentado ao lado de uma lanterna e importante do lado de fora da antiga Escola Residencial Indígena Kamloops, onde flores e cartões foram deixados como parte de um crescente memorial improvisado em homenagem às 215 crianças cujos restos mortais foram encontrados enterrados perto das instalações em Kamloops em 5 de junho 2021.
Um memorial em homenagem às vítimas foi improvisado em frente a uma antiga escola residencial indígena no Canadá

Um povo indígena do Canadá afirma ter encontrado 751 sepulturas até então desconhecidas em uma antiga escola de Saskatchewan, uma das províncias do país.

A Cowessess First Nation (entidade indígena na região) disse que a descoberta é "a mais significativa até hoje no Canadá".

A informação aparece semanas depois da descoberta de restos mortais de 215 crianças. As ossadas foram encontradas em uma escola semelhante, mas na província de Colúmbia Britânica.

"Não estamos pedindo piedade, mas sim compreensão", disse Cadmus Delorme, chefe da Cowessess.

A escola residencial indígena Marieval funcionou de 1899 a 1997 na área onde o povo indígena Cowessess agora está localizado, no sudeste de Saskatchewan.

A escola foi um dos mais de 130 internatos obrigatórios administrados pelo governo canadense e autoridades religiosas durante os séculos 19 e 20. Eles faziam parte da política de incorporação de crianças indígenas à sociedade canadense, movimento que também destruiu culturas e línguas indígenas.

Estima-se que 6.000 crianças morreram enquanto frequentavam essas escolas, em grande parte devido às péssimas condições sanitárias dos locais. Os alunos muitas vezes eram alojados em instalações mal construídas, mal aquecidas e pouco higiênicas.

Abusos físicos e sexuais cometidos por autoridades escolares levaram muitas pessoas a fugir das escolas.

"Eles nos fizeram acreditar que não tínhamos alma", disse Florence Sparvier, ex-estudante de uma escola residencial em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira. "Eles estavam nos rebaixando como pessoas, então aprendemos a não gostar de quem éramos."

No mês passado, a comunidade Cowessess começou a usar um radar de penetração no solo para localizar túmulos não identificados no cemitério da escola residencial indígena Marieval, em Saskatchewan.

O povo Cowessess chamou a descoberta de "horrível e chocante".

Perry Bellegarde, chefe nacional de uma assembleia de povos indígenas do Canadá, descreveu a descoberta dos túmulos como "trágica, mas não surpreendente". "Exorto todos os canadenses a apoiar os povos indígenas neste momento extremamente difícil", escreveu ele, no Twitter.

Entre 1863 e 1998, mais de 150 mil crianças indígenas foram tiradas de suas famílias e colocadas nessas escolas.

Frequentemente, as crianças não tinham permissão para falar sua língua materna nem praticar sua cultura, e muitas eram maltratadas e abusadas.

Uma comissão lançada em 2008 para documentar os impactos desse sistema descobriu que um grande número de crianças indígenas nunca voltou para suas comunidades de origem.

Em 2008, o governo canadense se desculpou formalmente pelo sistema.

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