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Henrique Meirelles (MDB) vai bancar a própria campanha à presidência

(Fátima Meira/Futura Press)

Por Fernanda Santos

Na última quinta-feira (2), o MDB oficializou Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda de Michel Temer (MDB), como candidato do partido à Presidência da República. O primeiro presidenciável do MDB em 24 anos está disposto a bancar a própria campanha.

“Tive de fato oportunidade de fazer patrimônio e estou disposto a usar parte disso. Vamos fazer também o sistema da vaquinha digital”, disse o candidato em entrevista ao portal Metrópoles.

Meirelles foi presidente do Banco Central do governo Lula, entre 2003 e 2010, e atuou no mercado financeiro, chegando ao cargo de presidente mundial do BankBoston.

Em 2002, quando foi eleito deputado federal, o patrimônio declarado de Meirelles era de R$ 45 milhões. Em 2017, o site BuzzFeed publicou que o candidato do MDB recebeu R$ 217 milhões em pagamentos no exterior por serviços prestados antes de assumir o Ministério da Fazenda, em 2016.

Dono de uma verdadeira fortuna, o ex-ministro afirmou que está disposto a gastar até o teto permitido pela Justiça Eleitoral na campanha à presidência (R$ 70 milhões), mas pretende começar também um financiamento coletivo, mais conhecido como vaquinha virtual.

“Vai que alguém quer colaborar e fica frustrado”, brincou na entrevista ao portal Metrópoles.

Sem ajuda do MDB

A candidatura de Meirelles sofreu forte resistência do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e de outros políticos do Norte e Nordeste do país. “Só servirá para atrair a rejeição universal” do presidente Michel Temer para candidatos do partido, disse Calheiros.

Segundo o senador, a decisão prejudica os postulantes aos governos estaduais, que poderão perder apoio de outros partidos mais fortes em suas regiões. “Estamos trabalhando para que o MDB possa fazer as coligações que quiser em cada Estado. É um mico apoiar o Meirelles”, disse.

Autofinanciamento foi argumento

Diante da impopularidade do presidente, que chegou a 82% segundo pesquisa Datafolha, Henrique Meirelles teria apresentado como argumento para sua candidatura o autofinanciamento.

A assessoria de imprensa do candidato informou a reportagem que “o MDB decidiu concentrar os investimentos dos recursos nas campanhas parlamentares”.

A parcela do fundo eleitoral que caberá ao partido, R$ 234 milhões de um total de R$ 1,7 bilhão, será destinada apenas às campanhas de senadores e deputados.

“A prioridade do partido é eleger deputados federais e senadores. E a prioridade do fundo eleitoral e do Fundo Partidário é financiar essas candidaturas”, disse o presidente da legenda senador Romero Jucá (MDB-RR).

Jucá negou, contudo, que a decisão de não ajudar nos custos da campanha à presidência reflita falta de apoio.

“Nós vamos discutir com ele (Henrique Meirelles) a forma de disputar a eleição com recursos próprios que ele dispõe. Felizmente ele tem essa condição, o que desafoga o aperto do partido”, afirmou.

Saco sem fundo

Além dos gastos de campanha, que já começaram, Meirelles ajudou a bancar a convenção nacional do MDB, que o oficializou como candidato.

No último mês, o ex-ministro também gastou R$ 84 mil do próprio bolso para concluir dois levantamentos no estado de Goiás, onde nasceu. O objetivo das pesquisas era saber o nível de conhecimento dos entrevistados sobre ele.

Segundo o candidato, seu baixo índice de intenção de voto, cerca de 1%, deve-se ao desconhecimento dos brasileiros sobre quem Henrique Meirelles é e o que já fez pelo país.