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Helicóptero Ingenuity pode fazer seu primeiro voo em Marte já no início de abril

Wyllian Torres
·5 minuto de leitura

A missão Mars 2020 tem proporcionado novas imagens do Planeta Vermelho, assim como também gravações dos sons de Marte, desde que pousou lá com o rover Perseverance, em fevereiro deste ano. Mas não para por aí: acoplado à “barriga” do robô, o helicóptero Ingenuity (engenhosidade, em tradução literal) começa a se preparar para uma série de testes que vão garantir a primeira tentativa de voo autônomo em outro planeta. A NASA está de olho no início de abril para esse voo inaugural, provavelmente logo depois do dia 8.

No dia 22 de março deste ano, o helicóptero Ingenuity liberou seu escudo protetor como quem acaba de despertar de uma longa viagem pelo espaço — e realmente, foram cerca de 7 meses da Terra até Marte. Agora o rover Perseverance está a caminho do local mais adequado para o teste de voo da pequena aeronave: uma área de 10x10 metros, com superfície plana e livre de obstruções. Assim que o Perseverance encontrar esse lugar, o Ingenuity terá cerca de 30 dias marcianos — ou 30 sóis que equivalem 31 dias aqui na Terra — para empenhar sua primeira tentativa de voo.

Realizar um voo no planeta vizinho é muito mais difícil do que aqui na Terra. Isso porque a gravidade de Marte equivale a um terço da terrestre e sua atmosfera no nível da superfície é a mesma do que encontramos aqui em nosso planeta a 35 quilômetros de altura — ou seja, rarefeita. Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária, da NASA, diz que: “apropriadamente nomeado, Ingenuity é uma demonstração de tecnologia que visa ser o primeiro voo motorizado em outro mundo e, se bem-sucedido, poderia expandir ainda mais nossos horizontes e ampliar o escopo do que é possível com a exploração de Marte”.

Ilustração do helicoptero Ingenuity na superfície marciana (Imagem: Reprodução/NASA)
Ilustração do helicoptero Ingenuity na superfície marciana (Imagem: Reprodução/NASA)

Implantação do Ingenuity na superfície e seu voo

Implantar uma aeronave em Marte já é uma baita desafio por si só, mas a primeira noite do helicóptero na superfície marciana é crucial. O engenheiro chefe da Mars Helicopter, Bob Balaram, do JPL, diz que: “sobreviver à primeira noite em Marte sozinho, sem o rover protegendo-o e mantendo-o ligado, será ainda maior”. O processo de implantação do Ingenuity levará cerca de seis sóis (o equivalente a seis dias e quatro horas aqui na Terra). Logo pelo primeiro sol, a equipe responsável pela operação ativará um dispositivo para liberar o helicóptero da “barriga” do rover Perseverance. Já no segundo sol, os cabos que seguram o Ingenuity serão liberados para girar a aeronave para uma posição horizontal — neste momento, o helicóptero está na vertical acoplado ao rover — e é também quando ele estenderá duas de suas quatro pernas de pouso.

No terceiro sol, um pequeno motor elétrico terminará de colocar o Ingenuity totalmente na horizontal. Ao seguir no quarto sol, as outras duas rodas de pouso do helicóptero serão estendidas — a cada um desses sóis, e em cada etapa deste processo, o sensor topográfico (WATSON) registrará imagens para que a equipe se certifique de que tudo está caminhando como o planejado. Colocado em sua posição final, o pequeno robô voador ficará suspenso a uma altura de 12 centímetros sobre a superfície marciana — ainda preso ao rover e parcialmente conectado a ele. No quinto sol, a equipe usará o Perseverance como fonte de energia pela última vez, recarregando as seis células da bateria do helicóptero e depois o cabo será cortado.

Zona de voo do Ingenuity registrada pelas câmeras de navegação a bordo do rover Perseverance (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Zona de voo do Ingenuity registrada pelas câmeras de navegação a bordo do rover Perseverance (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Ao sexto e último sol desta etapa de implantação, a equipe precisa verificar três informações, são elas: se as quatro pernas do Ingenuity estão firma na superfície da cratera Jezero, se o rover está a uma distância de cinco metros e se o Perseverance e o helicóptero estão se comunicando normalmente com seus sistemas de rádio. Uma vez confirmadas essas informações, começa a contagem de 30 sóis para que a aeronave verifique todo seu funcionamento e testes pré voo.

Quando tudo estiver verificado, o Perseverance receberá e enviará ao Ingenuity as instruções finais de voo dos controladores da missão, da JPL. O Mars Environmental Dynamics Analyzer (MEDA), a bordo do rover, será o responsável por fornecer as medições do funcionamento do padrão dos ventos locais naquele período. E então o momento mais esperado chega: o Ingenuity está liberado para decolar. O helicóptero vai pairar a uma altura de 3 metros acima da superfície durante 30 segundo — em seguida descerá e tocará o chão marciano.

No sol seguinte, todos os dados serão enviados para a equipe da missão, o que inclui algumas imagens em preto e branca de baixa resolução da câmera de navegação do Ingenuity. E lá pelo terceiro sol, devem chegar outras duas imagens coloridas da câmera de alta resolução da aeronave. A partir de todos os dados a equipe decidirá quais e quando serão as próximas atividades da nave. “Marte é difícil. Nosso plano é trabalhar tudo o que o planeta vermelho jogar sobre nós da mesma maneira que lidamos com todos os desafios que enfrentamos nos últimos seis anos — juntos, com tenacidade e muito trabalho árduo e um pouco de Ingenuidade”, declarou MiMi Aung, gerente de projeto da Ingenuity Mars Helicopter, no JPL.

Agora o que nos resta é esperar pela confirmação do local de testes de voo do Ingenuity, em algum ponto da cratera Jezero. A expectativa é grande, se tudo ocorrer como o planejado, será uma dos maiores feitos da tecnologia e de toda a história da exploração espacial — levantar voo em outro planeta do Sistema Solar comandando tudo de forma remota.

Fonte: Canaltech

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