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Heineken nega que processo da Coca-Cola ameace compra da Kirin

Poliana Santos
Heineken nega que processo da Coca-Cola ameace compra da Kirin

A Heineken negou, no último domingo (26), que a Coca-Cola Brasil entrou com uma ação para anular a compra da Brasil Kirin pela cervejaria em 2017.

Na última sexta-feira (24), o jornal "Valor Econômico", publicou que a Coca-Cola estava acusando, na Justiça, a Heineken de não cumprir com a obrigações contratuais na distribuição de suas bebidas alcoólicas pelo sistema da marca de refrigerante.

No entanto, a Heineken disse que o processo não tem como objetivo anular sua aquisição dos negócios da Kirin no Brasil em 2017. Além disso, informou que o processo não alterou suas operações no País, incluindo a distribuição de suas marcas por meio da rede da Coca-Cola.

A marca de refrigerante, a Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola (AFBCC) e 11 engarrafadora solicitam o cancelamento da compra da Brasil Kirin (ex-Schincariol) pela Bavaria, empresa controlada pela cervejaria holandesa. Segundo o jornal a petição foi protocolada na última terça-feira (21), no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Em outubro do ano passado, a justiça decidiu que a Heineken deve permanecer distribuindo seus produtos da Kaiser por meio da distribuição da Coca-Cola até março de 2022. No entanto, a cervejaria queria utilizar o seu próprio sistema de distribuição.

A Coca argumenta que a Bavaria é uma “paper company” (empresa existente apenas no papel) e está sendo utilizada para comprar a Brasil Kirin sem precisar respeitar o direito de exclusividade dos distribuidores brasileiros da Coca.

Parceria entre Coca-cola e Heineken

A parceria entre as empresas, que começou em 1990, foi estreitada em 2010 quando a holandesa comprou 100% da Kaiser, criada em 1984 por distribuidores brasileiros da Coca com o intuito de inserir uma cerveja ao portfólio de produtos.

A Bavaria, antiga subsidiária da Kaiser,  foi comprada pela Heineken em dezembro de 2016, numa operação que a Coca-Cola diz ser uma “artimanha” em sua petição inicial no TJSP.

Há pouco mais de três anos, a Heineken Brasil (Kaiser) e a Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola negociavam a compra conjunta da Brasil Kirin, o “Projeto Alaska”, como ficou conhecido. Sem chegar a um acordo com os distribuidores da Coca, os holandeses anunciaram em fevereiro de 2017 a compra da Brasil Kirin (a antiga Schincariol).

Veja Também: Coca-cola acusa Heineken na Justiça e solicita indenização

No entanto, na prática, quem comprou a subsidiária brasileira da japonesa Kirin Holdings Company foi a Bavaria, a paper company. A razão para este movimento foi, segundo consta na petição protocolada pela Coca junto à Justiça, que “essa reorganização societária possuiria ‘razões tributárias’, mais especificamente, o aproveitamento do ágio fiscal resultante”.

Antes da Antarctica se unir à Brahma, formando a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev (ABEV3)), a Bavaria fazia parte do portfólio de cervejas da empresa, em 1999.

Por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a marca Bavaria acabou sendo vendida à Molson em 2000.