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Hedge fund com retorno de 29% aposta contra títulos da Tesla

Jonas Cho Walsgard

(Bloomberg) -- Enquanto investidores de renda variável que apostaram contra a Tesla lambem as feridas, no mercado de renda fixa a história é diferente.

Um hedge fund na Dinamarca que obteve retorno de 29% no ano passado acumulou contratos de swap de crédito da segunda maior montadora do mundo com base na aposta de que os títulos da empresa são muito caros.

“É um preço incorreto”, disse Daniel Pedersen, diretor de investimentos do Asgard Credit Fund, por telefone. “A Tesla pode conseguir um upgrade para BB- ao longo de 2020, mas, mesmo nesse cenário, o spread de crédito ainda é muito apertado.”

A Tesla chamou a atenção de especialistas do mercado, pois suas previsões ousadas levaram traders a fazer apostas contra as ações. Na segunda-feira, o preço da ação disparou 20%, o que elevou o valor de mercado da montadora em mais de US$ 23 bilhões, deixando vendedores a descoberto em uma posição complicada.

Mas investidores de crédito olham para Tesla através de uma lente diferente, diz Pedersen. O Asgard comprou swaps de crédito da Tesla, que são acionados quando uma empresa deixa de pagar a dívida e usados pelos investidores para fazer apostas negativas e equilibrar posições compradas na indústria automotiva.

Os fortes resultados da Tesla na semana passada levaram alguns segmentos do mercado de crédito a reavaliar o risco de dívida da empresa. O custo de garantir a dívida contra um default por cinco anos caiu para um recorde de 145 pontos-base na segunda-feira, segundo o ICE Data Services. Mas Pedersen diz que os fortes resultados de Tesla não mudaram seu ceticismo em relação aos títulos.

“Somos investidores de crédito, não investidores de ações. Precisamos focar nos níveis de spread de crédito em relação aos riscos subjacentes”, afirmou. “Mas, às vezes, o mercado se apaixona por alguns créditos. E todo mundo é comprador.”

Pedersen diz que gosta do foco de Tesla em carros elétricos. Mas acha que há um “melhor risco-recompensa” nas fabricantes de autopeças e em outras empresas do setor automotivo europeias que estão entrando no mercado de veículos elétricos.

“Há um melhor spread de crédito por alavancagem nessas empresas”, disse Pedersen, cujo fundo de 140 milhões de euros (US$ 150 milhões) investe em títulos das fabricantes de autopeças Faurecia e Adler Pelzer Holding.

--Com a colaboração de Molly Smith.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórter da matéria original: Jonas Cho Walsgard em Oslo, jchowalsgard@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Veronica Ek, vek@bloomberg.net, Charles Daly, Tasneem Brogger

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