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HADO, techno esporte que une queimada e realidade aumentada, chega ao Brasil

Rafael Arbulu

As tecnologias de percepção de realidade — realidade virtual, realidade aumentada e realidade mista — já estão aparecendo nos meios de entretenimento há anos, mas apenas recentemente é que elas começaram a encontrar seu nicho ao unir esportes e cultura geek/gamer. No Brasil, o mais recente nome a figurar neste setor é o HADO, uma tecnologia de realidade aumentada que dinamiza, tecnologicamente, um velho conhecido dos esportes de quadra: a queimada.

Em evento de apresentação do produto realizado na última semana, o Canaltech teve a oportunidade de conversar com Leonardo Kimura, sócio-investidor da Trianons, empresa paulista de tecnologia e inovação digital que está licenciando a marca HADO para o mercado brasileiro, para entender um pouco sobre esse novo negócio e as pretensões da companhia para sua penetração no cenário nacional.

O HADO é uma marca de propriedade da startup japonesa Meleap e já está na ativa há alguns anos — em 2017 e 2018 foram organizados dois campeonatos mundiais. Desembarcando no Brasil em 2020, Leonardo mostrou um senso de urgência pelo sucesso da empreitada no país: “queremos, até dezembro, ter uma equipe brasileira para nos representar no Mundial”, conta em entrevista ao Canaltech.

A relação entre a Meleap e a Trianons começou do jeito mais inusitado possível. Leonardo conta que o projeto inteiro apareceu após Juliano Kimura, seu irmão, que também é fundador e CEO da empresa brasileira, descobriu o HADO via Facebook Ads: “ele estava em um desses dias com pouca demanda, passeando pelo feed, quando apareceu esse anúncio na tela. Ele achou interessante e me enviou. A partir dali, começamos a elaborar um plano e passamos a interagir com o pessoal da marca”. Os irmãos Kimura confirmaram que a Trianons investiu cerca de R$ 500 mil para licenciar o HADO no Brasil.

Juliano e Leonardo Kimura, CEO e sócio-investidor da Trianons, que trouxe o HADO para o Brasil (Montagem: Rafael Arbulu/Canaltech)

Se tudo está parecendo um processo rápido para você, é porque o foi: a Trianons vinha sendo convidada para eventos do HADO desde o segundo semestre de 2019, mas apenas em janeiro de 2020 é que eles assinaram o contrato de licenciamento da marca, antecipando um modelo de negócios que já conhecemos de outras empreitadas similares, como o Arkave, da YDreams, dadas as devidas diferenças: a oferta do HADO deve se concentrar majoritariamente em shoppings e centros comerciais com alto tráfego de pessoas.

“Nossa ideia inicial é a de que grupos e consórcios donos desses shoppings venham até nós para instalarmos a estrutura. Já estamos conversando com um desses grupos e as primeiras ofertas do HADO ao público não devem demorar”, confessou Leonardo, sem abrir qual o grupo em questão. “Nesse começo, sentimos que São Paulo seria o ponto de partida ideal para nós, por questões de logística e estrutura. Mas o intuito é fazer da operação algo nacional: até dezembro, temos por norma contratual apresentar um volume determinado de licenças ativas da marca, então outras cidades e estados estão em nosso radar”. Posteriormente, o Canaltech confirmou que a meta estipulada no contrato é de 13 arenas instaladas.

Estrutura básica de montagem do HADO: tecnologia exige um ou dois computadores para alimentação do feed de realidade aumentada, exibido pelos smartphones nas braçadeiras e visores dos jogadores (Foto: Rafael Arbulu/Canaltech)

A estrutura em si conta a favor do HADO. Se pararmos para avaliar a apresentação do Arkave, por exemplo, que conta com toda uma identidade visual e estrutura similar ao que se vê em grandes eventos, o HADO vem com uma premissa mais simplificada: lonas e colunas de ferro para identificação visual da marca e dos times participantes, os headsets (que na verdade são holders próprios da Meleap — a parte da realidade aumentada fica por conta de smartphones presos à frente do rosto do usuário) e alguns computadores para o feed de transmissão em tempo real tanto para as imagens nos aparelhos como para gravação de mídia.

“Replicar isso em outras cidades é relativamente simples: existem algumas premissas que todos somos obrigados a obedecer — os holders, por exemplo, são importados do Japão e não podemos usar ou criar modelos locais —, mas o restante é simples de se transportar e montar”, diz Leonardo. “No futuro, é nosso objetivo repassar essa parte a fornecedores terceiros, o que deve simplificar ainda mais essa parte”.

Segundo a Trianons, o HADO conta com 300 mil usuários no mundo e instalações no Japão, Estados Unidos e outros oito países.

Techno esporte?

A Meleap e a Trianons definem o HADO como a primeira oferta do conceito de “techno esporte” do mundo, unindo capacidade tecnológica de inteligência artificial e realidade aumentada com atleticismo físico. Na apresentação feita na última semana, fomos contemplados com demonstrações do HADO Augmented Sport, uma espécie de “queimada”, mas ao invés das bolas físicas de capotão, temos manifestações de energia saindo das mãos dos jogadores.

Os controles são bem simples: segundo o staff do evento, um movimento completo de mãos na vertical pode levantar um escudo protetor e disparar bolas contra seus oponentes: o objetivo é transpor essas barreiras e atingir o time adversário com seus movimentos diretamente, zerando uma barra de energia vital mostrada no visor dos smartphones. Evitam-se os golpes inimigos do mesmo jeito que você escapava de uma bolada na cara na época da escola: desviando.

A demonstração apresentada à imprensa pareceu simplista e provavelmente não contemplou todos os recursos do HADO em si — a estrutura era obviamente menor do que ambiciona a Trianons, mas deu para ter uma razoável ideia de como uma partida progride. Leonardo Kimura falou em categorias de jogadores, não muito diferente do que se vê em muitos jogos de eSport por aí: atiradores para ataque e defensores para “tanque”, ou seja, responsáveis pela resistência e defesa. “Isso adiciona o caráter de eSport à partida”, ele comenta.

Diante dessa demanda física, o HADO conta com sensores de leitura de movimentos bastante precisos: nas demonstrações o delay entre o movimento dos braços e a reprodução dos “golpes” na tela eram mínimos.

As partidas são bem curtinhas — 90 segundos cada uma, para equipes que podem ter até três membros, totalizando seis pessoas dentro da área de combate. Pesquisando pelo site da Meleap, porém, vemos que também há espaço para partidas em duplas e o famoso “1x1” entre rivais.

Aqui no Brasil, ao menos por ora, o licenciamento da Trianons refere-se apenas à modalidade Augmented Sport. No Japão, porém, a Meleap já criou o Monster Battle, Hado Shoot e há informações sobre um HADO Kart, todos empregando a realidade aumentada de alguma forma. Por aqui, na página oficial brasileira, há links para interessados em implementar o HADO em suas estruturas, com versões para shoppings, empresas, eventos corporativos e empreendedores individuais.


Fonte: Canaltech

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