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Hacker explica como criou rede de fake news para impulsionar eleição de Trump

·6 min de leitura

Robert Willis chama a si mesmo de “hacker ético”. Há alguns anos, porém, ele estava usando seu conhecimento em tecnologia, segurança, redes sociais e, principalmente, mecanismos de busca para operar uma das maiores redes de fake news dos Estados Unidos, apontada em livros e estudos como uma das principais armas políticas durante a campanha que levou Donald Trump à presidência, em 2016. Anteriormente, ele era chamado apenas como Hacker X, mas vendo os danos causados pelas notícias falsas, decidiu vir à público com sua história e os detalhes desse tipo de operação.

O resultado é uma série de publicações próprias, assim como uma reportagem no site Ars Technica, que mostram que um dos principais motores da produção de desinformação estava no coração dos Estados Unidos. Ao ter oferecido a ele um emprego na Koala Media, empresa de nome fictício cuja contraparte real o próprio Willis prefere não revelar, ele se lembra do comentário de um dos recrutadores, afirmando que um dos objetivos da companhia era impedir a chegada de Hillary Clinton e do partido democrata ao poder.

<em>Robert Willis diz ser capaz de colocar qualquer site no topo das buscas; por isso, se tornou operação de um grande esquema de fake news nos EUA (Imagem: Reprodução/Ars Technica)</em>
Robert Willis diz ser capaz de colocar qualquer site no topo das buscas; por isso, se tornou operação de um grande esquema de fake news nos EUA (Imagem: Reprodução/Ars Technica)

No centro da questão estava a habilidade alardeada pelo especialista de que seria capaz de colocar qualquer página no topo das buscas em questão de horas. O que começou com notícias falsas sobre substâncias milagrosas do limão que poderiam ser usadas no tratamento de câncer ou o perigo dos chemtrails, os rastros de condensação deixado por aviões durante o voo, logo se tornaram artigos controversos a favor das politicas de Trump e contra Clinton. A rede da Koala Media também incluía páginas e grupos em redes sociais, todos voltados a divulgar fake news e ampliar a aparência de relevância das publicações.

O mecanismo

A rede formada por Willis soa até simples quando explicada, mas envolve um trabalho extenso para que cada página de propriedade da Koala Media pareça independente das outras. Isso vale não apenas para o design, como também códigos e infraestrutura, com os veículos funcionando em servidores separados e tendo endereços IP únicos; VPNs eram usadas para acesso com o que o especialista afirma serem múltiplas camadas de segurança, para evitar que até mesmo os redatores pudessem ser cruzados entre diferentes publicações.

Elas linkavam artigos entre si e, também, eram citadas nas páginas e grupos igualmente separados. A rede também incluía perfis falsos, criados a partir de cartões SIM que eram comprados com dinheiro em espécie, e identidades forjadas em sites de hospedagem que exigiam documentação para acesso a seus serviços. A ideia, afirma, é que qualquer investigação sobre a identidade dos responsáveis fosse barrada pela própria farsa, enquanto a identidade de seus donos originais jamais seria encontrada a partir das publicações e domínios.

O trabalho também envolvia um pouco de psicologia. Segundo Willis, artigos positivos ou com boas notícias deveriam ser publicados pela manhã, mas a principal notícia do dia deveria sair entre às 11h e 14h, de forma que os pavios permanecessem acesos até a noite, quando eram publicados materiais mais frios ou evoluções de revelações anteriores. O resultado foi exatamente o esperado pela empresa de mídia: uma explosão de visualizações e um dano maior ainda para o debate político.

<em>Ao revelar seu nome, Willis preferiu não divulgar a empresa para a qual trabalhava, mas publicou imagens de seus escritórios (Imagem: Reprodução/Ars Technica)</em>
Ao revelar seu nome, Willis preferiu não divulgar a empresa para a qual trabalhava, mas publicou imagens de seus escritórios (Imagem: Reprodução/Ars Technica)

A reportagem do Ars Technica fala em 30 milhões de acessos por semana, além de centenas de domínios registrados e dezenas de perfis falsos. Em determinado momento dessa história, apenas as páginas no Facebook atingiam três milhões de pessoas por semana, enquanto os sites pertencentes a Koala Media multiplicavam seus acessos, exibindo anúncios no topo de buscas legítimas e trazendo páginas de fake news em meio a resultados legítimos, provando o sucesso do mecanismo montado por Willis.

Tudo com aparência de legitimidade, já que, segundo ele, nos dois anos em que operou a rede, uma publicação foi retirada do ar apenas uma vez, no Facebook. E quando empresas de hospedagem passaram a exigir documentações oficiais para o registro de contas, os números de seguro social até mesmo de falecidos eram utilizados nos cadastros.

O RT da sorte

Em meados de 2015, o sistema criado por Willis já era de tal tamanho que os sites da empresa de mídia, cujo nome real foi ocultado, importante lembrar, já era o primeiro resultado do Google em uma busca por “Trump news”. As coisas apenas ganharam mais relevância quando o próprio ganhou as eleições primárias do Partido Republicano e compartilhou, no Twitter, uma publicação de um dos perfis usados pelo especialista para propagar fake news.

<em>Perfil pertencente à rede de fake news é compartilhado por Donald Trump, ainda durante a campanha presidencial de 2016 (Imagem: Reprodução/Ars Technica)</em>
Perfil pertencente à rede de fake news é compartilhado por Donald Trump, ainda durante a campanha presidencial de 2016 (Imagem: Reprodução/Ars Technica)

O maior feito da Koala Media, afirma Willis, foi ter chegado aos próprios eleitores e ter sido capaz de, segundo ele, mudar o balanço das eleições de 2016. Ele conta que uma noção do sucesso da empreitada foi notar que seu próprio pai fazia parte da massa de usuários dos sites de fake news que ele gerenciava, enquanto outras organizações a favor de Donald Trump buscavam a empresa para demonstrar seu apoio ou auxiliar na empreitada.

A amplitude da rede de fake news era tamanha que Willis afirma que, na comparação, a manipulação russa envolvida na eleição de Trump em 2016 representa um pequeno ponto no gráfico. O comentário gerou polêmicas em relação à reportagem do Ars Technica, indo contra inquéritos oficiais do próprio governo dos EUA sobre tal influência, mas, ainda assim, serve como amostra do tamanho da operação que estava em andamento pelas mãos da Koala Media.

O especialista trabalhou na empresa de 2015 a 2017, quando afirmou ter decidido mudar de vida, retornando ao trabalho como hacker ético agora que sua conta bancária já estava cheia. Ele disse que, desde então, sabia que precisava vir a público com o que havia feito e, ao lado do amigo e podcaster Matt Stephenson, iniciou contatos com jornalistas e autoridades para revelar o esquema, desde que sua identidade real não fosse revelada.

Foi esse trabalho que fez com que ele se tornasse o chamado Hacker X, citado pela antiga diretora de tecnologia da Casa Branca, Theresa Payton, em Manipulated. O livro que fala sobre a campanha de desinformação que tomou conta dos EUA nos últimos anos foi escrito sem que ela nem mesmo soubesse o primeiro nome de Willis, ainda que tenham participado de diferentes conferências online para entrevistas e coleta de dados.

Ao aceitar o trabalho na Koala Media, ele afirmou ter motivações políticas, principalmente um sentimento de vingança após governos democratas desastrosos no estado de Connecticut, onde cresceu, bem como um desdém pelo sistema como um todo. Segundo Willis, foi a pandemia do novo coronavírus que fez com que ele mudasse de ideia, ao ver os danos que as notícias falsas geraram, principalmente a ascensão da propaganda antivacina.

Ele afirma que, depois da guerra política da qual participou, o combate agora deve se concentrar em acordar aqueles que foram manipulados pelas campanhas que ajudou a executar, principalmente quando o dano delas se traduz em mortes. Não é uma tarefa fácil, afirma, nem mesmo dentro de casa; antes de vir a público, Willis conta que revelou toda a verdade à sua família e que o próprio pai não acreditou na conversa, seguindo como um espectador do festival de fake news que, por anos, foi orquestrado pelo próprio filho.

Fonte: Canaltech

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