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Hackaton de programadoras de Israel desenvolve apps contra violência doméstica

Wagner Wakka
·3 minuto de leitura

Um grupo israelita está usando a tecnologia para combater a violência doméstica. Engenheiras de software do país organizaram uma hackaton para desenvolver aplicativos que podem ajudar, principalmente, mulheres a reconhecerem e denunciarem seus parceiros em agressões e assédio em casa.

A ideia nasceu de uma tragédia. Em outubro de 2019, uma mulher chamada Michal Sela foi morta a facadas pelo marido que depois tentou se matar sem sucesso. O caso não ganhou projeção em Israel, por conta da ideia de que o casal era apaixonado e o crime foi passional.

Diante disso, a irmã de Sela, Lili Ben Ami, levantou um grupo para desenvolver formas de combate à violência doméstica usando tecnologia. O resultado disso foi o Safe Home Hackaton, um evento com foco em desenvolvimento de aplicativos que podem ajudar mulheres de diferentes formas.

A iniciativa contou com apoio de gigantes do mercado como Facebook, Microsoft e Salesforce,reunindo mais de 1.800 pessoas da área de tecnologia no país. Divididos em 54 grupos, cada um poderia sugerir uma proposta que seria avaliada por uma mesa julgadora e então poderia receber apoio para desenvolvimento depois.

A proposta era tentar endereçar soluções para três diferentes caminhos do problema, começando por prevenir os casos. Um dos destaques foi o programa MedFlag, que usa dados de sistema de saúde do país para identificar pessoas com machucados recorrentes e traçar um perfil de potenciais vítimas.

Alerta camuflado

Outro direcionamento é para quem está já em meio a uma situação de violência doméstica e pode buscar alternativas para avisar amigos, familiares e autoridades com segurança. Um app desenvolvido com este propósito foi o Stay Tuned, o qual se camufla como um programa de receitas e notícias no smartphone, mas que registra sons quando está aberto, permitindo enviar as gravações em nuvem para outras pessoas imediatamente. Com um sistema de reconhecimento de voz, o software identifica quando há alguma discussão acalorada ou possível violência.

Outra ideia é o Safe and Sound, com uma proposta parecida. Aqui, a gravação é iniciada quando a pessoa fala uma palavra-código pré-determinada e um aviso é enviado para amigos e autoridades sobre o risco doméstico.

O terceiro direcionamento do hackaton foi evitar novas violências para pessoas que estão já separadas de seus ex-agressores. O que o grupo percebeu é que parte das vítimas continua sendo assediada pelos ex-parceiros por conta de acesso a informações, como contas de telefone que ainda vão para o endereço antigo ou até mesmo instalando apps como spywares em dispositivos do alvo.

Por conta disso, um dos times desenvolveu um programa que revisa o smartphone do usuário fazendo uma lista de possíveis ameaças e ajudando a pessoa a garantir que ela está livre do rastreio de seu ex-agressor.

Os programas ainda estão em fase de desenvolvimento com aporte de investidores. Por este motivo, ainda não é possível encontrá-lo nas lojas da Google e Apple.

Fonte: Canaltech

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