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Há dez anos projeto acolhe e orienta mães de internos do Degase em Belford Roxo

·4 min de leitura

Em 2011, a cozinheira do Degase Sandra Santos, de 56, criou em frente à unidade do Degase (Departamento Geral de Ações Socieducativas) de Belford Roxo, o CAI-Baixada, o projeto Casa Mãe Mulher. No local, ela oferece acolhimento e orientação às mães dos internos. O espaço tem café da manhã, almoço, palestras sobre direitos da criança e do adolescente, rodas de conversa e um grupo de leitura, e atende as mães nos dias de visitação na unidade socioeducativa, às quartas-feiras e aos sábados. Por semana, cerca de 60 mães frequentam a casa.

Trabalhando com adolescentes em privação de liberdade há 27 anos, Sandra Santos percebeu que as mulheres nos dias de visita na unidade não tinham onde comer, nem um banheiro para usar, e às vezes, por causa da roupa que vestiam não conseguiam entrar na unidade, que tem exigência de vestuário. Por isso, a Casa Mãe Mulher surgiu para oferecer refeições a essas mães, e também fornecer roupas emprestadas de um bazar que o projeto promove.

— A maioria dessas mulheres aqui mora na Baixada, são domésticas... as oportunidades de estudo é zero. Ninguém investe na Baixada, é muito difícil. Elas saem lá de Japeri para trabalhar na Zona Sul, têm que deixar seus filhos em casa. Colocam na escola, não tem professor, manda de volta para casa, porque investimento na educação também não tem. E o que essas crianças encontram na sua área? Não tem lazer. O lazer que tem muitas das vezes é o tráfico que começa. O tráfico abraça — conta.

A casa conta com apoio de dez voluntárias que se dedicam às atividades recreativas e à cozinha, e se mantém financeiramente com pequenas doações. Um dos objetivos principais do projeto é trabalhar a autoestima das mães dos internos a partir das rodas de conversa.

— Hoje eu entendo que a gente tem que ouvir mais essas mães, com a fala a gente libera muita coisa. E as outras ouvindo acaba também criando aquela rede de apoio.

Sandra ressalta que cabe a essas mulheres arcar com os custos do filho na unidade como passagens para os dias de visita, alimentos e itens básicos de higiene.

— É uma condição muito triste para essas mães. Elas chegam aqui com uma carga muito pesada achando que têm culpa de alguma coisa. Eu penso que se elas têm culpa, todos nós temos. Estado, sociedade, todo mundo — afirma.

Com uma infância pobre, parte da inspiração da cozinheira para ajudar os outros veio das dificuldades que passou. Dos 12 aos 26 anos de idade, ela viveu na casa de uma família como “filha de criação”, mas na verdade era empregada doméstica sem qualquer remuneração.

— Eu fui para passar férias nessa casa. Minha tia era comadre da dona da casa. Depois que eu fiquei lá de vez, que ela me colocou na escola, a escravidão começou — lembra.

Durante esse período, Sandra se dedicou a concluir os estudos. A dona da casa chegou a dizer a ela que a veria “nas páginas policiais”. Depois que passou no concurso público para o Degase, ela retornou para exibir a publicação do seu nome no Diário Oficial. E, hoje, já pensa em cursar a terceira graduação, em direito talvez, ela ainda não definiu. Sandra é formada em serviço social e teologia. Com as voluntárias, ela ensina as mães sobre seus direitos.

— Eu brinco até que foi a cozinheira que teve um olhar sensível pra essas mulheres, um olhar diferenciado. Porque elas têm os piores adjetivos, "mãe de bandido"... é muita coisa ruim que falam dessas mulheres e elas trabalham, assim como eu. Ninguém bota filho no mundo para estar aí dentro, para o caminho errado. Nós sempre queremos o melhor para nosso filho, mas sozinho nós não podemos. Por isso eu falo que sem o Estado, sem o governo não ajudar, não tem como — afirma.

A um mês de se aposentar como funcionária pública - ela ainda trabalha na unidade socioeducativa às sextas-feiras – Sandra pensa em se dedicar integralmente à Casa Mãe Mulher depois disso. Emocionada, ela resume o seu projeto:

— A Casa Mãe é para dar um pouquinho de visibilidade para essas mulheres para elas gritarem “estou viva, eu existo, tenho a mesma dor que você”, e não acharem que o pobre, o negro aguenta mais dores que qualquer um. Nós existimos. Temos a nossa luta, temos as nossas dores, e um detalhe: temos os nossos sonhos. Não só para nós, mas para nossos filhos também. Eu estou aqui deixando um legado. Não tenho dinheiro, tenho fé que posso fazer um mundo diferente, uma sociedade diferente. Eu falo isso porque tive uma infância muito pobre, e por conta disso, a gente tenta ajudar.

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