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Há 30 anos, Galvão Bueno omitiu informação privilegiada de Senna e levou bronca de chefão da Globo

·3 min de leitura

Há exatos 30 anos - em 20 de outubro de 1991 - Ayrton Senna conquistava o tricampeonato mundial de Fórmula 1. No Grande Prêmio do Japão, Galvão Bueno comandou a transmissão do Grupo Globo, mas bastidores da corrida alimentaram uma turbulência na relação entre narrador e emissora. Amigo íntimo de Senna e Gerhard Berger, companheiro de equipe do piloto brasileiro na McLaren, Galvão omitiu uma informação privilegiada que envolvia a dupla.

No livro 'Fala, Galvão', o locutor explica e dá detalhes da relação amistosa com os esportistas durante as viagens para narrar a Fórmula 1.

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- Pegamos o trem-bala para ir de Tóquio ao autódromo em Suzuka. Berger adormeceu logo. Olhei para Ayrton, fiz um gesto com a cabeça, ele fez um sinal de positivo —a gente se entendia por olhares na hora da bagunça. Ele jogou para mim um tubo de gel de barba. Eu fui até a mala de Berger, abri, e a primeira coisa que vi foi um sapato. Berger só andava de tênis, mas tinha esse sapato por causa de um evento naquela noite, que exigia terno. Enchi os dois pés do sapato de gel - relata Galvão Bueno.

- Estávamos todos no hotel do circuito de Suzuka e lá fomos, Ayrton e eu, bater no quarto de Berger. Ele abriu a porta e saiu correndo atrás de nós, três malucos numa carreira até a recepção do hotel. Depois, a esposa de Berger, Ana, uma portuguesa, me contou que ele tinha se arrumado todo, enfiado os dois pés no gel —shplaft, shplaft— e começado a gritar: 'Galibao! Galibao!', a coisa mais próxima de Galvão que ele conseguia falar - completa.

A relação íntima dava a Galvão a oportunidade de estar inserido em conversas particulares, e até mesmo estratégias de Ayrton Senna e Gerhard Berger. Para a corrida que sacramentou o tri do brasileiro, o narrador da Globo sabia que, caso Senna estivesse com o título garantido, deixaria Berger vencer.

No Grande Prêmio do Japão, em Suzuka, Senna largou em segundo, atrás do amigo de McLaren. E pelos retrovisores, viu Nigel Mansell errar entre as curvas 1 e 2 e abandonar a corrida. O inglês era rival direto do piloto brasileiro na briga pelo mundial da Fórmula 1. Assim, o erro da Williams já garantia o título de Ayrton Senna independentemente de sua posição na pista.

Nas voltas finais, ele liderava o circuito depois de ultrapassar Berger. Segundos antes da bandeirada, porém, diminuiu o ritmo, deixou o companheiro ultrapassá-lo e lhe deu a vitória de bandeja.

Na transmissão, Galvão começou a gritar "Eu sabia, eu sabia", e levou uma bronca do chefão da Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.

- Se você sabia, por que não contou antes? Era sua obrigação profissional - questionou o dirigente.

- Boni estava certo mais uma vez. Pelas conversas antes da corrida, eu tinha entendido que eles tinham montado uma estratégia, e que Ayrton, se tivesse o título garantido, deixaria Berger vencer. Mas eu tinha que ter explicado isso - lamentou Galvão no livro.

O curioso é que, menos de um ano depois do entrevero, em 1992, Galvão Bueno rescindiu com o Grupo Globo e, como sócio, ergueu sua própria emissora, a Rede OM (Organizações Martinez).

O narrador era uma espécie de diretor esportivo da companhia, que chegou a negociar a exclusividade dos direitos de televisivos da Copa Libertadores de 1992 e bateu recordes de audiência com a transmissão da final entre São Paulo x Newell’s Ols Boys, superando a própria Globo. Na Rede OM, Galvão ainda fechou contratos com a Copa do Brasil e com o Campeonato Paranaense.

Apesar dos ótimos números em audiência, o retorno financeiro não agradou Martínez, que demitiu 60% da equipe.

- Não me pagavam o que me deviam, os cheques sem fundo se acumulavam, não tinha mais nenhuma possibilidade de continuar lá - disse Galvão em entrevista ao Jornal do Brasil.

Um ano depois de ser erguida, a OM era extinta, e Galvão Bueno retornava a Globo, onde permanece até hoje.

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