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Gympass deixa de ser 'passe' para a academia e aposta em pilares do bem-estar

A pandemia de Covid-19 impulsionou alguns negócios e derrubou tantos outros. O Gympass precisou se reinventar diante de um lockdown que fechou a porta de milhares de academias, o único produto que a startup tinha a oferecer aos clientes até 2020. Priscila Siqueira, líder do Gympass no Brasil, conta como a empresa unicórnio (avaliada em US$ 2,2 bilhões) pivotou para uma solução híbrida de bem-estar, usando a tecnologia para oferecer aulas ao vivo e personal trainers e, agora também, uma plataforma de saúde mental e emocional: o Wellz.

Segundo a executiva, o departamento de New Ventures já tinha um projeto embrionário para agregar o wellness ao portfólio da empresa. Quando a pandemia começou, ele foi tirado da gaveta com o lançamento de aplicativos que viabilizaram que a jornada de cuidado físico das pessoas continuasse naquele momento de crise e que outras soluções relacionadas ao bem-estar também fossem agregadas.

Em abril de 2021, o Gympass comprou a Vitalk para impulsiona a sua plataforma de saúde mental. Com a ferramenta preventiva que inclui serviços como sessões de terapia individual e em grupo, monitoramento clínico e conteúdo on-demand, o Gympass pretende escalar a Wellz para os outros 10 países onde opera.

“Nós começamos a perceber que fazia muito sentido oferecer uma plataforma muito mais holística e com todos os pilares de bem-estar”, avalia Priscila. “Nós não somos mais só um passe para a academia. Agora nós temos o que quisermos do digital aqui dentro”, complementa a executiva.

"Business to business para preservar as academias”

Quando foi fundado, há dez anos, pelos brasileiros Cesar Carvalho, Vinicius Ferriani e João Barbosa, o Gympass era um passaporte para academias vendido diretamente para o consumidor final. Mas em 2014, na primeira pivotagem da startup, o produto deixou de ser comercializado para pessoas físicas e o modelo de negócio passou ao business to business, como conhecemos hoje.

Priscila Siqueira explica que não há nenhuma intenção ou perspectiva em voltar ao B2C, pois o Gympass consolidou o propósito de agregar valor não apenas para as empresas clientes e para os colaboradores que acessam a plataforma, mas também para as academias parceiras. “Se eu começo a atender o B2C, eu começo a canibalizar a academia, porque eu começo a pegar usuário que ia na academia que é a minha parceira. E eu quero o contrário: eu quero levar mais usuários para ela”, afirma a executiva.

Atualmente, o Gympass tem mais de 50 mil parceiros fitness em 11 países e já foi acessado por mais de 20 milhões de colaboradores de empresas parceiras. De acordo com a líder da plataforma, uma estratégia de chegar a mais pessoas através do modelo B2B é dar acesso a colaboradores de pequenas e médias empresas, além de funcionários e pessoas associadas a instituições públicas ou cooperativas e sindicatos clientes.

Da graduação em tecnologia à liderança de startups

Com um MBA em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas e Extensão Executiva incluindo General Management Program na Harvard Business School, Priscila Siqueira, líder do Gympass no Brasil, tem mais de 20 anos de experiência em sua área de graduação: tecnologia. A executiva iniciou a carreira na área técnica, passou pela área de consultoria e gerenciamento de projetos, e atuou em vendas e produtos da Oracle, onde ocupou por três anos o cargo de VP da Oracle Digital para América Latina. Em sua trajetória profissional, a executiva também atuou em grandes empresas como Petrobras, Vivo, Bradesco, Banco do Brasil, alguns órgãos do setor público e no ecossistema de startups como 99 e iFood, entre outras.