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'Guru da meditação' é alvo de nova investigação do MP por abusos sexuais contra ex-pacientes

Redação Notícias
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'Guru da meditação' é alvo de nova investigação do MP (Foto: Reprodução/TV Globo)
'Guru da meditação' é alvo de nova investigação do MP (Foto: Reprodução/TV Globo)

O terapeuta Tadashi Kadomoto, conhecido como “guru da meditação”, é alvo de nova investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por supostos abusos sexuais contra ex-pacientes e ex-alunas. A apuração também mira integrantes da equipe do terapeuta que teriam conhecimento dos casos, mas que nada teriam feito para impedi-los.

Em outro processo, que já tramita na Justiça de São Paulo, o terapeuta é réu por estupro de vulnerável e lesão corporal grave causado a uma ex-treinanda. Em duas investigações, até o momento, sete mulheres já formalizaram depoimentos contra Kadomoto.

De acordo com o G1, a nova investigação da Promotoria começou depois que mais quatro ex-pacientes e ex-alunas prestaram depoimentos formais, relatando que foram vitimas de abusos durante treinamentos do Instituto Tadashi Kadomoto e sessões de terapia individuais.

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Nesta segunda investigação, segundo jornal, o MP-SP apura outros crimes, como violação sexual mediante fraude, associação criminosa, curandeirismo e exercício ilegal da profissão. A investigação está em fase inicial.

A Promotoria diz que a equipe de Tadashi Kadomoto era formada por mais de 20 profissionais, que acompanhavam os tratamentos e cursos mulheres que o denunciaram. Sete psicólogos e dois médicos já foram identificados e devem ser chamados para prestar depoimentos, assim como o próprio Kadomoto.

Para a promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos o autor “seria o senhor Tadashi”, que, segundo ela, é o investigado principal, mas que agiria com auxilio material e moral de psicólogos do instituto.

“De acordo com as vítimas que eu ouvi, elas falaram que isso era conhecimento de todos que frequentavam o instituto. Ou no começo do curso, ou no momento que saiam. Os cursos de Expansão da Consciência, que eram compostos por quadro módulos, uma semana a pessoa ficava enclausurada, todas juntas, muitas vezes ficavam em um contexto grupal só com roupas íntimas, e muitas sofreram abuso também de outros alunos, que não tinham sido consentidos. Era outro ambiente que propiciava esse tipo de atuação”, afirmou.

Guru da meditação na pandemia

Kadomoto é conhecido como "guru da meditação na pandemia". Nas redes sociais, suas lives costumam atrair milhares de seguidores com mensagens de autoconhecimento. No instagram, ele conta com mais de 1,6 milhões de seguidores. O terapeuta também atua há quase 30 anos fazendo terapia transpessoal, que usa hipnose, meditação, regressão e relaxamento.

O terapeuta nega ter cometido os crimes e até chegou a gravar um vídeo no dia 12 de outubro, em que fala pessoalmente sobre o caso.

"Tenho falhas, cometo erros como todo ser humano, mas jamais cometi atos criminosos. Tenho fé que tudo será esclarecido e até lá vou me afastar das minhas atividades. Ao longo da história já vimos muitas reputações e famílias destruídas por acusações que depois se mostraram injustas, por isso estou à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários”, disse Kadomoto.

Força-tarefa para denúncias

O Ministério Público de São Paulo montou uma força-tarefa para receber denúncias de possíveis novas vítimas. A estrutura é a mesma usada no caso do médium João de Deus e do médico nutrólogo Abib Maldaun Neto. Os relatos podem ser enviados para somosmuitas@mpsp.mp.br e serão recebidos por uma equipe especializada, com sigilo em relação aos dados e às informações enviadas.

Defesa nega acusações

O advogado de Tadashi Kadomoto, Alexandre Wunderlich, disse em nota ao G1 que reafirma a indignação com as acusações envolvendo a conduta profissional dele.

"O sr. Tadashi Kadomoto reafirma sua indignação com as acusações envolvendo sua conduta profissional e confia na Justiça. Por decisão pessoal, o sr. Tadashi está afastado de suas atividades, focado em organizar a sua defesa, para que essa situação seja esclarecida o mais rapidamente possível. Em mais de 30 anos de atuação, o sr. Tadashi jamais teve qualquer questionamento sobre sua conduta profissional e, convicto de sua inocência, agradece às manifestações de apoio que vem recebendo de todos os que o conhecem e confiam no seu trabalho", diz trecho da nota.

O advogado ainda diz que a juíza responsável pelo caso que já tramita na Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão preventiva de seu cliente e que não vai tornar públicas as provas de inocência porque o processo corre em segredo.