Mercado fechado

Guiados pelo exterior e pelo câmbio, juros futuros fecham em alta

Victor Rezende

Os juros futuros abandonaram o viés de queda observado no início do dia e fecharam a sessão regular desta segunda-feira (25) em alta, em um dia marcado por liquidez reduzida por conta da semana curta nos Estados Unidos que comemora, na quinta (28), o Dia de Ação de Graças. Enquanto as relações comerciais sino-americanas se mantiveram no radar dos investidores, o dólar alçou novos voos e ensaiou tocar R$ 4,22, o que ajudou a levar as taxas futuras para cima.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou estável a 4,65%; a do DI para janeiro de 2022 avançou de 5,33% para 5,38%; a do contrato para janeiro de 2023 subiu de 5,88% para 5,93% e a do DI para janeiro de 2025 foi de 6,45% para 6,53%. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 4,2124 no segmento à vista, depois de ir a R$ 4,2199 na máxima do dia.

Sem grandes catalisadores, a curva a termo refletiu a valorização do dólar, e, também, as incertezas relacionadas às questões comerciais entre Estados Unidos e China, que continuam no foco dos agentes do mercado.

“A questão do acordo comercial continua a mostrar indecisão dos players e, assim, fica difícil para o mercado, aqui, precificar. Há, ainda, uma especulação por falta de liquidez. O mercado abriu bem tranquilo, sem nenhuma notícia extraordinária, mas temos de lembrar que há falta de liquidez devido ao feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos”, afirmou Heber Vieira, operador de renda fixa da Terra Investimentos.

Ao mesmo tempo em que as questões comerciais continuaram no foco, o câmbio também se manteve protagonista dos movimentos no mercado de juros. Dados abaixo do esperado do setor externo fizeram o dólar abandonar a leve queda ostentada nos primeiros negócios do dia e levaram a moeda americana a níveis acima de R$ 4,21. No Boletim Focus, do Banco Central, o ponto médio das estimativas do mercado para o dólar no fim deste ano subiu de R$ 4,00 para R$ 4,10.

“O BC sinalizou que essa desvalorização do real poderia ser combatida via política monetária, empurrando a curva para cima”, disse Altair Pereira, economista do Bradesco BBI. Segundo ele, as apostas de cortes mais agressivos na Selic minguaram. Mesmo assim, o aumento nas expectativas de inflação fez o juro real de curtíssimo prazo ser comprimido “até atingir o campo negativo pela primeira vez, desde o início da trajetória de queda da Selic”. Segundo o BBI, a taxa indicativa da NTN-B para agosto de 2020 recuou 26 pontos-base na semana passada e atingiu um juro real de -0,15%.

Também nesta segunda, a Fundação Getulio Vargas informou que o índice de confiança do consumidor caiu de 89,4 pontos, em outubro, para 88,9 pontos, neste mês, o menor nível desde julho. “A confiança do consumidor brasileiro está praticamente estável desde junho, mas com caminhos divergentes entre os componentes de expectativas e de situação atual. No geral, o caminho esperado é o de aceleração do crescimento, que deve apoiar uma maior confiança do consumidor mais à frente”, afirmaram os economistas do Citi.