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Guerra de palavras em meio à disputa pela distribuição de vacinas

Valérie LEROUX
·3 minuto de leitura

A tensão gerada pela distribuição de vacinas anticovid se transformou em uma troca de críticas nesta sexta-feira (26) entre França e Reino Unido, com Paris acusando Londres de "chantagem" e de exagerar o sucesso de sua campanha de vacinação.

"O Reino Unido ficou orgulhoso de ter vacinado com a primeira dose, exceto que eles têm um problema com a segunda dose", disse o chanceler francês Jean-Yves Le Drian na rádio France Info.

Londres iniciou uma campanha de vacinação em massa no início de dezembro e já administrou 29 milhões de primeiras doses, atingindo 55% de sua população adulta.

Comparativamente, os números da União Europeia (UE), onde houve atrasos nas entregas da vacina anglo-sueca AstraZeneca, são insignificantes.

Por exemplo, apenas 8,3 milhões de alemães e 7,1 milhões de franceses receberam a primeira dose. O Reino Unido é o país europeu mais afetado pela pandemia, com mais de 126 mil mortes, algo que seus ex-parceiros do bloco não param de se lembrar.

Para Paris, o sucesso da campanha de vacinação britânica é bastante relativo, pois se refere sobretudo à primeira dose.

“Hoje há tantos vacinados com duas doses na França quanto no Reino Unido”, destacou Le Drian, em uma espécie de discurso que lembra o auge das negociações do Brexit.

- "Arrogante, anglofóbico" -

Na realidade, 2,775 milhões de britânicos receberam a segunda dose do imunizante (ou seja, 5,3% da população adulta), em comparação com 2,6 milhões na França (5%).

“Não se pode jogar assim, fazendo uma espécie de chantagem, na medida em que queriam vacinar a torto e a direito [durante] a primeira dose e agora estão um tanto incapazes na segunda”, insistiu o ministro.

No entanto, vários estudos mostraram que a vacina oferece proteção importante para evitar hospitalizações, mesmo que apenas uma dose tenha sido administrada.

A UE suspeita que a AstraZeneca dê um tratamento favorável ao Reino Unido em detrimento do bloco e ameaça paralisar as exportações de doses produzidas em seu território, causando grande inquietação em Londres.

É "o fim da ingenuidade", julgou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira durante uma cúpula europeia, aplaudindo a virada que a Comissão Europeia deu às exportações.

Em resposta, a imprensa britânica trouxe a artilharia pesada. O Times acusou Macron de ser um "anglofóbico" e de ser "incapaz de reconhecer os formidáveis sucessos" do Reino Unido. O The Sun o chamou de "arrogante que se recusa a se desculpar por sua desastrosa gestão anticovid".

Novamente fazendo uso da semântica marcial, o presidente francês declarou-se preocupado com uma "guerra mundial de um novo tipo diante dos ataques, dos caprichos russos e chinesas em influenciar a vacina".

- Ferramenta de "propaganda" -

Moscou fez de sua vacina Sputnik V uma ferramenta de "propaganda e diplomacia agressiva", de acordo com Le Drian. “China e Rússia realizam uma política de influência por meio da vacina antes mesmo de vacinar sua própria população”.

Acusações que o Kremlin rejeitou imediatamente: "Não concordamos absolutamente que [declarações de que] a Rússia e a China estejam travando uma espécie de guerra", respondeu seu porta-voz, Dmitri Peskov.

Críticos de Moscou e Pequim os acusam de exagerar na comunicação sobre suas entregas de vacinas a países desfavorecidos, com a intenção de aumentar sua influência.

“Devemos considerar que a vacina é um bem público global e agir para que a imunidade seja global e não seja uma imunidade competitiva”, insistiu o chanceler francês.

Na segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, também respondeu com veemência às declarações de um comissário europeu que afirmou que a UE não precisa da Sputnik V.

"Nós perguntamos quais são os interesses que essas pessoas defendem, das empresas farmacêuticas ou dos cidadãos europeus?", disse o presidente russo.

vl/dla/gde/jvb/tjc/jc/mvv