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Guerra na Ucrânia vai aumentar pobreza na América Latina, diz Cepal

Mulheres compram em um mercado em Lima, Peru, 4 de abril de 2020. REUTERS/Sebastian Castaneda

SANTIAGO (Reuters) - A guerra na Ucrânia contribuirá para aumentar os níveis de pobreza na América Latina neste ano, ao mesmo tempo que a região enfrenta fortes pressões inflacionárias e o esgotamento da recuperação econômica depois da pandemia de coronavírus, de acordo com relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) desta segunda-feira.

Os preços mais altos dos combustíveis e dos fertilizantes e os problemas de fornecimento de trigo provocados pela guerra elevaram os preços enquanto intensificaram a fome e geram dúvidas sobre as perspectivas de crescimento, destacou o organismo das Nações Unidas com sede em Santiago.

A expectativa é de que a pobreza regional aumentará a 33% da população neste ano, alta de 0,9 ponto percentual em relação a 2021, enquanto a pobreza extrema alcançará 14,5%, 0,7 ponto a mais do que no ano passado.

Os países latino-americanos "enfrentam contextos internos caracterizados por uma forte desaceleração da atividade econômica, aumentos da inflação e uma recuperação lenta e incompleta dos mercados de trabalho, o que aumenta a pobreza e a desigualdade", disse a Cepal.

A inflação na América Latina e Caribe duplicou entre o fim de 2020 e de 2021, a 6,6%, enquanto a projeção para a alta dos preços nos 12 meses até abril foi de 8,1%.

O avanço da inflação, em particular dos preços dos alimentos, afetará as condições de consumo de grande parte da população regional, "o que pode contribuir para um aumento dos níveis de mal-estar e conflitos sociopolíticos, que já são altos em alguns países da região", alertou.

A Cepal ainda alertou para um aumento significativo de pessoas na região que enfrentam insegurança alimentar.

"Esses níveis são notoriamente superiores aos observados antes da pandemia e afastam a possibilidade de uma pronta recuperação", completou.

No fim de abril a Cepal projetou crescimento de 1,8% do PIB regional em 2022, de uma taxa de 2,1% estimada em janeiro.

(Reportagem de Carolina Pulice e Natalia Ramos)

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