Guerra dos portos reprime PIB industrial, avalia Fiesp

A chamada "guerra dos portos" trouxe perdas não só para a economia como um todo, mas para os próprios Estados que concedem incentivos fiscais. A avaliação foi feita nesta quarta-feira pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da entidade, José Ricardo Roriz Coelho.

Segundo ele, em 2011, as importações atraídas por benefícios fiscais retiraram 0,6 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e impediu a geração de 915 mil postos de trabalho. Ainda na estimativa do diretor, este PIB "extra" representaria o que é produzido em Alagoas ou cidades como Campinas (SP), Fortaleza ou Camaçari (BA).

Coelho falou no seminário Guerra dos Portos - Resolução Nº 13 do Senado Federal, que acontece na sede da federação. De acordo com o executivo, em geral, os benefícios fiscais concedidos pelos Estados criam um diferencial de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de cerca de 7 pontos porcentuais a favor dos importados.

Neste ano, completou Coelho, devem ser importados até o fim do mês o equivalente a US$ 193 bilhões de produtos industrializados. Do valor, US$ 22,2 bilhões recebem benefícios fiscais dos Estados.

"Caso esses bens industriais importados fossem produzidos no Brasil, a produção industrial doméstica poderia crescer cerca de R$ 80 bilhões, sendo R$ 37 bilhões devido ao efeito direto da indústria e R$ 43 bilhões do efeito indireto no resto da economia", declarou Coelho. Na projeção dele, o País "poderia ter um PIB um pouco maior, com impacto também grande na geração de empregos".

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