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Guedes reconhece que economia podia estar 'meio anêmica' antes da pandemia

FÁBIO PUPO
Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta sexta-feira (29) que fará uma análise detalhada do PIB no primeiro trimestre para checar se a economia estava bem antes da pandemia do coronavírus. Segundo ele, o estado da atividade podia estar "meio anêmico" já nos dois primeiros meses do ano.

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Os dados do PIB foram divulgados mais cedo nesta sexta pelo IBGE. A economia teve retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores. Essa é a maior queda desde a retração de 2,1% no segundo trimestre de 2015.

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"Vou pedir para desagregarmos. Para vermos se nos dois primeiros meses já estávamos decolando e no terceiro mês a crise nos derrubou, ou se já estávamos em estado meio anêmico", afirmou em seminário virtual promovido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Ele afirma que, em sua visão, indicadores positivos no começo do ano como exportações, arrecadação e investimentos diretos sinalizavam uma situação melhor. "A impressão que eu tinha era que tínhamos começado a andar", disse.

As declarações contrastam com as falas anteriores do ministro. Há cerca de dois meses, Guedes disse que as economias centrais estavam caindo quando a do Brasil iniciava uma decolagem. "Estávamos em pleno voo, começando a decolar quando fomos atingidos por essa onda", disse Guedes em março.

Nesta sexta, Guedes afirmou que o país começará a sair do que chamou de letargia com a retomada dos trabalhadores às atividades. "Imagino que o retorno será segmentado, não será todo mundo ao mesmo tempo, e será por unidades geográficas. Há regiões onde o risco está sendo maior", disse.

O ministro reafirmou que acredita em um formato de recuperação em V. "Falo em V porque os sinais vitais da economia estão mantidos. Pode ser um V meio torto? Pode. Pode ser um V da Nike? Pode", disse. Ele faz referência ao logotipo da marca esportiva, que tem a segunda perna do "V" mais deitada (indicando uma recuperação mais lenta). "Dependendo da nossa reação pode ser U ou até L, só depende de nós", disse.

Guedes criticou as brigas políticas durante a pandemia e, ao mesmo tempo, buscou defender o governo de críticas. "É cretino atacar o governo do próprio pais em vez de ajudar o governo do próprio pais num momento desse", disse.

Para ele, o governo está sendo apedrejado. "Você, no meio de uma luta para salvar vidas, ficar sendo apedrejado enquanto ajuda? A mim não afeta, não derruba. É um crime contra a população brasileira", afirmou.

Ele defendeu que o momento é de deixar brigas de lado e remar para se chegar em terra firme, quando, em sua visão, as disputas poderiam ser retomadas. "Quando chegar na margem, briga de novo", disse.

Guedes ainda criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou neste mês que o coronavírus teria sido positivo por demonstrar a importância do Estado.

"Há uma falácia circulando por aí, um raciocino até cruel. De que foi muito bom o coronavírus vir para mostrar como é importante ter Estado", disse Guedes. "É um erro intelectual, é uma completa falta de solidariedade dizer que foi bom para mostrar que tem que ter Estado", afirmou o ministro.

Guedes disse que os Estados Unidos têm participação reduzida do Estado e mais recursos para a crise. "A nação que lança mais recursos para proteger as pessoas é a mais rica, a que tem menor Estado. Não podemos voltar ao passado, temos que ir a um futuro diferente", afirmou o titular da equipe econômica.

Lula deu a declaração alvo das críticas na semana passada. "Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises", disse o ex-presidente no dia 19. Após a repercussão, Lula pediu desculpas e disse que a frase foi infeliz.

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