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Guedes diz que regime de partilha reduziu o interesse por leilão do pré-sal

Murillo Camarotto e Mariana Ribeiro

Para o ministro da Economia, o modelo de partilha, criado durante os governos do PT, é usado “em regimes corruptos da África” O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta quinta-feira o modelo de partilha na exploração do petróleo, segundo ele o grande responsável pela falta de interesse de empresas estrangeiras no leilão da cessão onerosa, realizado ontem. Para o ministro, o país deveria considerar a adoção do regime de concessão.

Guedes afirmou que o modelo de partilha, criado durante os governos do PT, é usado “em regimes corruptos da África”. Na sua avaliação, a modelagem do leilão acabou afastando as grandes empresas do setor.

“É complicado pagar uma fortuna para entrar num quarto escuro com um Leviatã do óleo. Não dá. Temos que refletir sobre isso”, disse Guedes, referindo-se ao elevado valor do bônus de assinatura, à sombra da Petrobras e ao modelo de licitação de petróleo e gás no país.

Sobre os dois blocos que não receberam ofertas, Guedes considerou duas opções: oferecê-los a valores reduzidos ou mudar o modelo de contrato. “Nessa condição, é difícil. Pode ser que ofereçamos por um preço mais barato, para ver se alguém aparece, ou fazer por concessão”, afirmou.

Apesar das críticas, Guedes definiu como “extraordinário” o resultado do leilão, especificamente o valor arrecadado com os bônus de assinatura, de quase R$ 70 bilhões. Além disso, comemorou o fato de a cessão onerosa ter ajudado a desenvolver o debate sobre o pacto federativo.