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Guedes diz que crédito a empresas continua insuficiente, mesmo com programas

Lu Aiko Otta e Mariana Ribeiro

O ministro comparou sua equipe à do futebol do Barcelona, que é muito boa, mas às vezes perde “O desempenho do nosso time na frente de crédito foi muito difícil”, admitiu o ministro da Economia, Paulo Guedes, em reunião da comissão mista do Congresso que acompanha as ações do governo no combate à pandemia. Ele comparou sua equipe à do futebol do Barcelona, que é muito boa, mas às vezes perde.

Reprodução/ TV Câmara

No entanto, apesar da demora, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) demorou a sair, admitiu, mas agora começa a funcionar. A Receita está ligando para 3,2 milhões de microempresários para informá-lo da existência do crédito, informou o ministro. Com a economia “travada” , a necessidade de capital de giro para as empresas foi multiplicada por três ou quatro, disse Guedes.

“Chegamos a R$ 1 tri em recursos mobilizados, é duas vezes mais que média dos emergentes”, afirmou o ministro, referindo-se ao conjunto das ações do governo no combate aos efeitos da covid-19. “Não podemos concordar com afirmações de que Brasil não se mobilizou.”

Guedes disse que o ideal seria reservar 50% dos recursos para financiamentos do Pronampe para pequenas e médias e outros 50% para as microempresas. Atualmente, a divisão é de 80% para pequenas e médias e 20% para as micro. O ministro comentou que o crédito para médias “sai mais rápido”, mas o objetivo do programa é atender às micro. “O objetivo é que seja usado no local mais necessário”, afirmou.

Guedes disse também que sua equipe tem trabalhado próxima do Tribunal de Contas da União (TCU), para saber se houve desvio. Ele explicou que, após a transferência para Estados e municípios, o uso do dinheiro passa para a responsabilidade de governadores e prefeitos. “Os governadores e prefeitos têm que dar conta disso”, disse. “TCEs [Tribunais de Conta dos Estados] têm que ficar em cima também.”

O ministro informou que o Auxílio Emergencial será prorrogado e a decisão será anunciada hoje pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o G1, o governo federal decidiu aceitar a proposta do Congresso Nacional e vai estender o Auxilio Emergencial em duas parcelas de R$ 600.

Guedes afirmou também que, em dois ou três meses, o governo deve anunciar novos programas, como o Renda Brasil [de assistência social] e o Verde-Amarelo [de formalização de empregos]. Ao falar sobre o que está à frente, além dos dois programas, o ministro afirmou que há “três, quatro, cinco frentes para destravarmos juridicamente as fronteiras de investimentos.”

Com isso, reafirmou Guedes, o Brasil vai “surpreender o mundo” daqui a dois ou três meses. “Continuamos realistas no sentido de que é possível o Brasil retomar as reformas e crescimento antes do que a maioria dos analistas tem previsto”, disse.

Massa salarial

O Brasil está entre os poucos países em que a massa salarial subiu após o início da pandemia, disse Guedes. “Há mais recursos circulando hoje”, comentou. “Conseguimos atenuar o choque econômico.”

O ministro faz um retrospecto das medidas adotadas pelo governo desde o início da crise. Depois de usar os R$ 500 bilhões de espaço infraconstitucional, foi necessário aprovar a PEC do Orçamento de Guerra, o que permitiu liberar R$ 150 bilhões para pagar o Auxílio Emergencial, disse. Também houve reforço de R$ 150 bilhões para Estados e municípios.

O pagamento do Auxílio Emergencial revelou ao governo 38 milhões de “invisíveis”, disse o ministro. Desses, de 8 a 10 milhões são muito pobres e outros 25 a 30 milhões são empreendedores, “que vão ser público depois do programa verde-amarelo.” O Valor traz em sua edição de hoje um detalhamento sobre esse programa de formalização, que ainda está sendo elaborado pelo governo.

O ministro elogiou o Benefício Emergencial (BEm), que permite suspender ou reduzir os contratos de trabalho, com complementação de renda pelo governo. Cerca de 10 milhões de pessoas foram inscritas no programa.

“Do ponto de vista de manutenção de emprego, considero dos mais bem sucedidos do mundo”, afirmou, após ressaltar a atuação do secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco. O programa custa R$ 51 bilhões. Mesmo assim, houve demissão de cerca de 1 milhão de pessoas só no mercado formal. “Foi extraordinário”, disse.

Outro programa citado pelo governo é o Fopas, de R$ 40 bilhões, para financiar folha salarial.