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Guedes diz que bancos menores são monitorados e Caixa destina R$ 30 bi para compra de carteiras

FÁBIO PUPO
BRASÍLIA, DF, 13.03.2020 - PAULO-GUEDES-DF - O ministro da Economia, Paulo Guedes, fala com a imprensa ao chegar no ministério na manhã desta sexta-feira (13). Guedes afirmou que vai apresentar em 48 horas medidas econômicas para combater os efeitos do coronavírus. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Caixa Econômica Federal vai reservar R$ 30 bilhões para a compra da carteira de crédito de pequenos e médios bancos. O anúncio foi feito nesta sexta (13) pelo presidente da instituição, Pedro Guimarães, ao lado do ministro Paulo Guedes (Economia).

Apesar disso, Guedes negou que os bancos menores estejam apresentando problemas e afirmou que o sistema financeiro está "absolutamente líquido". Mesmo assim, disse que as pequenas e médias instituições financeiras estão sendo monitoradas.

"Os bancos públicos estão atentos, muito líquidos e preparados para pontos possíveis de fragilidade. Bancos médios, se houver problema. Não há no momento, eles estão bem", disse. "Não, não [estão com problemas]. Bancos pequenos e médios estão sendo monitorados", disse.

Guedes disse que os R$ 135 bilhões em liberação de compulsórios de bancos já anunciados pela equipe econômica entrarão nesta sexta-feira na economia, liberando liquidez ao sistema financeiro. "[O BC está] Liberando hoje os R$ 135 bilhões de redução de compulsório. Chega num ótimo momento, exatamente quando a crise está chegando", disse Guedes.

O ministro também conversou mais cedo com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. "Ele me assegurou que as condições de liquidez estão absolutamente estáveis e que ele vai garantir a manutenção da estabilidade do crédito, a assistência de liquidez", disse o titular da equipe econômica.

Guimarães afirmou que a Caixa já atua na compra da carteira de outros bancos e que a medida anunciada hoje é um reforço à atuação já existente. "O que estamos fazendo é poder comprar mais", afirmou Guimarães. As carteiras a serem negociadas serão voltadas a crédito consignado e de automóveis.

Outra medida da Caixa é o reforço de R$ 40 bilhões para o capital de giro de empresas, em especial para segmentos em que o banco já atua, como o setor imobiliário e especificamente pequenas e médias empresas.

A Caixa também vai destinar R$ 5 bilhões para um segmento em que não atuava antes, o de crédito agrícola.

"A Caixa hoje é o banco com o maior índice de capitalização, acima de 19%, muito acima do mínimo. E mais de R$ 300 bilhões de títulos públicos. O que significa isso? A Caixa tem amplo espaço para emprestar", disse Guimarães.

"Estamos tranquilos e não vemos necessidade hoje [de emprestar todos esses recursos], mas, como o ministro sempre fala, a questão é se essa é uma crise de um ou dois meses ou maior. Estamos preparados", completou o presidente da Caixa.

Guedes, Guimarães e o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, participaram de reunião nesta sexta no Ministério da Economia para discutir os efeitos do coronavírus para as empresas do país.

No caso do BB, o banco tem entrado em contato com os clientes mostrando que está disponível para eventuais dificuldades. "Tomamos a iniciativa de nos dirigirmos à clientela para dizer que podem contar com o BB, porque, inclusive, com esse reforço de liquidez que o Banco Central está nos dando, vai ser muito mais fácil atender pequenas e médias empresas no país", disse Novaes.