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Guedes defende plano que dribla teto e diz preferir ajuste fiscal menos intenso e abraço social

·3 min de leitura
*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  20-05-2021, 12h00: O ministro da Economia Paulo Guedes durante entrevista à Folha em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 20-05-2021, 12h00: O ministro da Economia Paulo Guedes durante entrevista à Folha em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Paulo Guedes defendeu nesta sexta-feira (22) o plano do governo para turbinar o Bolsa Família, que promove uma manobra para driblar regras fiscais. Ele indicou que o governo deve pisar no freio na austeridade fiscal ao afirmar que é preferível haver um ajuste menos intenso e um "abraço social um pouco mais longo".

Guedes fez as declarações à imprensa após receber o presidente Jair Bolsonaro em seu gabinete. A visita foi tratada como um gesto de aceno ao titular da Economia.

"Nós preferimos um ajuste fiscal menos intenso e um abraço no social um pouco mais longo", disse.

O ministro disse que não pediu demissão diante da crise aberta nesta semana e ressaltou que o presidente também não insinuou nenhum movimento nesse sentido.

Na entrevista, ele confirmou o nome de Esteves Colnago, que hoje é assessor especial da pasta, para assumir o comando da secretaria especial do Tesouro e Orçamento. Ele ocupará a vaga de Bruno Funchal, que pediu exoneração.

Ao longo da declaração, Guedes disse entender seus subordinados "mais jovens" que pediram demissão, que não aceitaram ceder nas negociações, mas afirmou que é importante haver um equilíbrio entre os interesses das alas política e econômica.

"Temos que escolher, vamos tirar 10 em fiscal e 0 em social? Abaixa um pouco a média do fiscal e aumenta do social", disse.

"Eu detesto furar teto, mas não estamos aqui só para tirar 10 no fiscal. Nós fomos um dos governos que menos gastaram, então temos que pensar no social também".

Nesta semana, contrariando os interesses de Guedes, Bolsonaro exigiu que o novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, fosse turbinado para um valor de R$ 400 -o valor médio do Bolsa Família está hoje em R$ 190.

O ministro defendia um valor mais baixo, de até R$ 300 e insistia que o reajuste fosse feito com despesas dentro do teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas pública à variação da inflação. No entanto, o titular da Economia foi vencido na disputa.

Para atender ao pedido do presidente e após pressão da ala política, a saída encontrada pelo governo foi expandir despesas por meio de um contorno às regras fiscais, que são tratadas por Guedes como o pilar de sustentação da credibilidade do governo.

A manobra para aumentar os gastos sociais também deve permitir uma alta nas verbas de emendas parlamentares, repasses indicados pelos deputados e senadores para obras em suas bases eleitorais.

Nesta quinta-feira (21), Guedes testemunhou uma debandada de secretários da pasta, que pediram para sair por insatisfação com o drible às regras fiscais.

Pediram demissão nesta quinta-feira (20) o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.

Os auxiliares de Guedes que deixarão os cargos são responsáveis pela área do ministério que comanda os cofres do governo, conStante alvo de investidas da ala política.

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