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Guedes critica 'excessos' do Judiciário, alfineta Faria Lima e fala em manter Auxílio Brasil

*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, 08/09/2022, BRASIL - GUEDES EM SAO PAULO - 16:57:42 - O ministro Paulo Guedesparticipa da #ABX22 Automotive Business, no Sao Paulo Expo, na zona sul. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, 08/09/2022, BRASIL - GUEDES EM SAO PAULO - 16:57:42 - O ministro Paulo Guedesparticipa da #ABX22 Automotive Business, no Sao Paulo Expo, na zona sul. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com discurso em tom de campanha eleitoral, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta quarta-feira (14) "excessos" do Poder Judiciário, alfinetou o mercado financeiro e falou em manter o Auxílio Brasil em R$ 600 em um eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em evento com empresários no Rio de Janeiro, Guedes também disse que o teto de gastos foi "mal desenhado". "Esqueceram de fazer as paredes, que são as reformas. Esqueceram de quebrar o piso, que sobe", afirmou Guedes em uma palestra na ACRJ (Associação Comercial do Rio de Janeiro).

Nas últimas semanas, o ministro embarcou de vez na campanha de Bolsonaro. Às vésperas das eleições, ele tem ido a campo, em encontros com empresários, para rebater críticas e defender políticas adotadas sob sua gestão. Não foi diferente nesta quarta.

Sem citar o nome do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), alvo recorrente de ataques de Bolsonaro, Guedes apontou "excessos" no Poder Judiciário.

"Tem ministro do Judiciário que também comete excessos, manda prender, investigar, censurar. Está descredenciando o Supremo."

Em outro momento da palestra, o ministro da Economia afirmou que o país tem condições para manter o Auxílio Brasil em R$ 600 em 2023, em caso de um segundo mandato de Bolsonaro. O benefício subiu para esse nível às vésperas das eleições.

"Nós vamos manter os R$ 600, a renda básica, do trabalhador brasileiro?", perguntou Guedes para o público. "O país tem capacidade. Nós temos ferramentas novas", respondeu o ministro, que defendeu em seguida a venda de ativos inutilizados para a criação de um fundo de recursos públicos.

Como mostrou reportagem da Folha, a manutenção dos representa uma necessidade de mudanças no teto de gastos —norma constitucional que impede as despesas federais de crescerem acima da inflação.

Antes do envio da proposta de Orçamento de 2023, que colocou o governo na linha de tiro por cortes em programas sociais, Guedes adotava um discurso mais moderado em relação ao Auxílio Brasil.

No Rio, o ministro alfinetou integrantes da Faria Lima, região de São Paulo que concentra empresas do mercado financeiro. Ele disse que, quando se fala na liberação de recursos para os "mais frágeis", a Faria Lima entra em ebulição, temendo mais inflação.

O ministro também destacou o desempenho recente da economia brasileira, que levou analistas a subirem as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto). Ele criticou previsões pessimistas para a atividade econômica. Porém, não citou questões como o aumento da fome, a inflação alta e a queda da renda do trabalho ao longo da pandemia.

Durante a palestra, Guedes reforçou críticas a governos petistas. Sem mencionar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à frente de Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, o ministro disse que o Brasil foi beneficiado no passado pelo cenário internacional e afirmou que as pessoas sonham com um "paraíso perdido".

"Liberais e conservadores estão juntos porque, do outro lado, está o capeta", apontou. Em mais de uma ocasião, Guedes recebeu aplausos dos empresários na plateia.

No começo da tarde, o ministro discursou em um hotel da zona sul do Rio, onde recebeu um prêmio da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior). Guedes repetiu trechos do discurso anterior.

Ele ainda afirmou que o governo federal não vai cortar recursos do programa Farmácia Popular. Uma eventual redução dos recursos para a iniciativa gerou críticas a Bolsonaro nos últimos dias.

"Hoje mesmo estava uma confusão danada. Todo mundo falando: 'Vão cortar a Farmácia Popular'. Quem vai cortar? Não vão cortar", afirmou Guedes. Ele afirmou que o governo vai buscar recursos para a iniciativa "dentro da responsabilidade fiscal".