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Guedes critica concentração no sistema bancário: 200 milhões de patos e cinco bancos

O ministro se pronunciou durante audiência da Comissão Mista de Orçamento, nesta terça. (Foto: Andre Coelho/Bloomberg/Getty Images)

Durante audiência da Comissão Mista de Orçamento (CMO), nesta terça-feira (14), o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu o aumento da competição entre os bancos e criticou o monopólio da Petrobras no Brasil.

Para ele, gastar R$ 445 bilhões com o juro da dívida é um absurdo; no entanto, o ministro descarta eventuais soluções como calote para reduzir esse número.

"Não pode dar refresco. Tem de aumentar a competição entre os bancos para não ter essa concentração que houve", afirmou no evento. "Foi aquilo que eu disse em um outro contexto: são 200 milhões de patos e cinco bancos, então, o spread é grande".

Guedes atribui ao governo do PT a redução do sistema bancário a cinco ou seis bancos. "Quem é que fez isso aqui? É quem está chegando ou quem estava lá? Quem permitiu que a indústria bancária brasileira virasse cinco bancos? Quem estava no governo? Por que o spread é enorme? Por que os bancos têm uma concentração enorme?", ressaltou.

No evento, o ministro ainda endossou sua crítica ao controle da Petrobrás sobre o gás natural. "São 200 milhões de patos e uma refinadora de petróleo, uma vendedora de gás, que é a Petrobras. Só tem ela", disse.

Esses assuntos já haviam virado tema de debate na última sexta-feira, 10, durante o 31º Fórum Nacional, quando Guedes citou um empréstimo de mais de R$ 300 milhões para os cinco grandes bancos brasileiros feiro pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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“Soube de um empréstimo de quase R$ 300 milhões que iria sair para os bancos. Nós íamos dar um empréstimo de R$ 300 milhões para Bradesco, Itaú, para não sei quem mais. Mas isso é o fim do mundo. É o que eu disse, o Brasil tem 200 milhões de patos e cinco bancos. Aí os cinco bancos vêm buscar dinheiro público aqui. Não faz o menor sentido isso. Não quero nem saber qual é o ritual. Não faz sentido, simplesmente não faz sentido”, destacou na ocasião.

O ministro faz menção ao episódio de um financiamento de R$ 320 milhões acertado no fim do ano passado para a Gestora de Inteligência de Crédito (GIC), empresa de análise de crédito formada por Bradesco, Itaú, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, para operar o chamado cadastro positivo de crédito. A GIC agora é chamada de Quod.

Posicionamento Quod

Como parte do processo de opções de financiamento para o investimento em inovação e crescimento da empresa, e uma vez que a regulamentação bancária proibia operações de empréstimo entre instituições financeiras e suas controladas até o final de 2018, foi efetuado no ano passado um processo de cotações de mercado com várias instituições não acionistas, que enviaram suas propostas de financiamento.

Com a mudança da regulamentação, ao final de 2018, passou a ser permitida a realização de operações de crédito entre instituições financeiras e suas controladas, e dessa maneira no início de 2019 a companhia decidiu efetuar uma nova rodada de cotações a mercado, desta vez incluindo os acionistas, e concluiu o processo com uma operação a mercado com 3 Bancos privados, dos quais 2 são acionistas da empresa.