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Guedes assume papel de cabo eleitoral de Bolsonaro mesmo sem função formal na campanha

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em conferência de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a atuar ativamente em busca de votos pela reeleição de Jair Bolsonaro, sob impulso de dados econômicos positivos em meio a medidas adotadas pelo governo neste ano eleitoral, embora tenha rejeitado papel formal no núcleo da campanha do presidente.

Guedes não deve subir em palanques com Bolsonaro, segundo uma fonte próxima ao ministro. Em eventos sem o presidente, porém, ele tem adotado tom de campanha, com defesa da reeleição, promessas para um novo mandato e críticas ao PT.

“O Brasil está com tudo para iniciar um longo ciclo de crescimento, nós só temos que ter juízo, só temos que votar direitinho, fazer a coisa certa, seguir o caminho da prosperidade”, disse em agosto.

Pouco mais de uma semana depois, afirmou que para o país avançar "basta não fazer besteira, isso tem a ver com o voto".

O ministro também tem feito declarações de apoio a Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Bolsonaro que concorre ao governo de São Paulo.

“80 bilhões de reais por ano (de investimento privado) é dez vezes o que gastou o superministro Tarcísio, extraordinário. Aliás, eu não sei se posso falar, mas vocês estão, de repente, próximos de ter um excepcional governador”, disse a uma plateia de investidores e representantes do mercado.

AINDA "O POSTO IPIRANGA"

Contrário ao mecanismo da reeleição, Guedes tem feito ressalva ao posicionamento, afirmando que depois de dois governos de Luiz Inácio Lula da Silva e dois de Dilma Rousseff, Bolsonaro também precisa de dois mandatos.

Nas apresentações, normalmente em eventos do mercado financeiro ou de entidades representativas de setores da economia, o ministro também tem feito promessas para um novo mandato --ele já disse que seguirá no cargo se Bolsonaro for reeleito.

O presidente, por sua vez, também já repetiu que manterá a dupla com Guedes, caso vença, em uma sinalização de que, quatro anos depois, o Planalto segue necessitando da chancela do "posto Ipiranga" --a expressão popularizada por Bolsonaro em 2018 para prometer "carta branca" ao futuro comandante da pasta econômica.

Se nem toda a agenda liberal foi implementada, com derrotas políticas e uma pandemia no período, agora o ministro da Economia renova as promessas. Logo após as eleições, segundo Guedes, o governo trabalhará para aprovar uma reforma tributária que taxe dividendos, o que permitiria corrigir a tabela do Imposto de Renda e financiar o Auxílio Brasil turbinado. Ele afirma que também será possível aprovar este ano uma reforma administrativa se Bolsonaro ganhar.

Para o eventual segundo mandato, a lista de promessas inclui repasses sociais e para obras públicas usando recursos de privatizações como fonte de financiamento, além de cortes de tributos.

“Com mais quatro anos, seguramente vamos zerar o IPI”, afirmou este mês.

Guedes também disse que quer reeditar a carteira verde e amarela, com regras trabalhistas mais flexíveis e encargos menores, associada a um regime de capitalização da Previdência. As duas medidas já foram propostas pelo atual governo e rejeitadas pelo Congresso.

O ministro ainda tem reforçado a promessa de Bolsonaro de que manterá o Auxílio Brasil em 600 reais, em vez de permitir o retorno a 400 reais. Ele afirma que buscará fonte de recurso para que não haja prejuízo fiscal, mas reconheceu ser possível aprovar uma calamidade ou uma extensão da emergência pública por conta da guerra na Ucrânia, o que destravaria esses gastos.

TOLOS

Apesar das repetidas declarações em busca de mais quatro anos de governo, duas fontes ligadas ao ministro afirmam que Guedes decidiu seguir no comando da pasta sem acumular funções na campanha e negou convites para participar de debates com representantes econômicos de outros candidatos à Presidência.

"Nunca discuta com um tolo, as pessoas podem não ser capazes de saber a diferença", disse o ministro a interlocutores, segundo relato, em relação à recusa de debater com seus oponentes.

Nos eventos, Guedes tem focado em dados positivos na economia, enfatizando que previsões de analistas para atividade vêm sendo revistas para cima. Além do PIB, ele celebra dados de redução do desemprego, aumento da arrecadação, queda do endividamento público e recuo da inflação.

Grande parte da queda nos preços foi motivada pelo corte de tributos sobre combustíveis promovido pelo governo neste ano eleitoral. A medida era temporária, mas o Executivo já sinalizou que manterá a desoneração em 2023. A inflação de alimentos, que atinge com mais força as camadas mais pobres da população, ainda está alta, mas começa a dar sinais de que pode ceder.

Em relação à atividade econômica, o crescimento do país deve contar com um estímulo nos gastos das famílias depois que o governo driblou regras fiscais para turbinar o Auxílio Brasil e o Auxílio Gás, além de criar benefícios a caminhoneiros e taxistas. As despesas não são contabilizadas no teto de gastos.

Para os próximos anos, Guedes tem traçado cenário positivo para o Brasil, ancorado em compromissos de investimentos privados, apesar de reconhecer um ambiente externo deteriorado, com economias avançadas subindo juros e perdendo tração na atividade.

As mensagens otimistas são propagadas pelo ministro mesmo diante do agressivo aperto monetário implementado pelo Banco Central para conter a inflação, inclusive com indicativo de que a taxa básica de juros poderia ter um novo aumento este mês, às vésperas da eleição.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou na última semana que a autoridade monetária não pensa em queda de juros neste momento e que a situação inspira cuidados. "A batalha não está ganha", afirmou.

Para Guedes, se o Brasil deve crescer pelo menos 2,5% este ano, cresceria ainda mais não fosse a alta da Selic.