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Guedes apresenta PEC que soma pisos de recursos para saúde e educação

FÁBIO PUPO, BERNARDO CARAM E THIAGO RESENDE
BRASÍLIA, DF, 05.11.2019 - PACTO-ECONÔMICO - O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), entrega ao presidente do senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um conjunto de propostas para dar maior flexibilidade ao Orçamento, ações para elevar os repasses de recursos a estados e municípios (pacto federativo), além da revisão de cerca de 280 fundos públicos. O ato foi no gabinete da presidência do Senado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O governo apresentou ao Senado nesta terça-feira (5) uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que soma os pisos que estados e municípios têm que destinar a saúde e educação sejam somados. 

Hoje, a Constituição determina que estados devem destinar 12% da receita à saúde e 25% à educação. Municípios devem alocar 15% e 25%, respectivamente. 

Com a medida, governadores e prefeitos teriam um piso somado para as duas áreas. Com isso, poderiam redirecionar os recursos conforme a demanda local. Um ente da Federação com mais idosos do que jovens, por exemplo, poderia destinar mais para a saúde em vez de educação.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, a proposta original do ministro da Economia, Paulo Guedes, era retirar os pisos para as áreas, mas o restante do governo alertou o titular da pasta sobre possíveis críticas e resistências. Guedes, com isso, aceitou apresentar uma proposta com o piso somado para as áreas.

A proposta ainda proíbe a União de socorrer entes em dificuldades fiscais a partir de 2026. A ideia do Ministério é que quem fez a dívida deverá arcar com ela. O governo federal só dará a partir de 2026 garantias às operações de estados e municípios com organismos internacionais.

Estados e municípios também poderão fazer contingenciamentos, como já ocorrem em nível federal. Também haverá integração das regras fiscais (Lei de Responsabilidade Fiscal, regra de ouro e teto de gastos) em todas as esferas do governo.

O pacote redistribui recursos de royalties da União a Estados e municípios. Com o repasse de royalties e participação especial do petróleo, União e estados encerrarão a disputa judicial sobre a Lei Kandir.

Estados e municípios passam a receber toda a arrecadação do salário-educação e a definir o uso dos recursos.

A proposta ainda determina que a parcela de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhado destinada ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) passe a ser de 14%. Hoje, esse percentual é de 40%.

A proposta está na PEC do chamado pacto federativo, que integra o pacote batizado pelo Ministério de "Plano Mais Brasil - A Transformação do Estado". Ao todo, três PECs foram entregues ao Senado hoje. Uma segunda trata do acionamento de gatilhos para redução de despesas (a PEC Emergencial) e uma terceira da desvinculação de fundos públicos.