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Guedes aposta que Covid perderá força, mas equipe vê incertezas

FÁBIO PUPO E THIAGO RESENDE
·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 07.04.2021 - Paulo Guedes. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 07.04.2021 - Paulo Guedes. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro Paulo Guedes (Economia) tem afirmado a interlocutores que a intensidade da pandemia de Covid-19 deve diminuir em um horizonte de três meses no Brasil.

Para o ministro, a vacinação concentrada nos grupos mais vulneráveis à doença vai ser responsável por fazer decrescer o número de mortes e, em consequência, a força da crise sanitária nos próximos meses.

O tempo estimado para a perda de força da pandemia fica dentro da duração dos programas anticrise relançados neste mês.

Tanto o auxílio emergencial quanto o programa de manutenção de empregos preveem quatro meses de duração.

Caso a estimativa se confirme, a necessidade vista pelo governo de lançar novos estímulos fiscais ao longo do segundo semestre pode diminuir, assim como as chances do acionamento do estado de calamidade pública --algo que Guedes procura evitar por considerar a medida um cheque em branco.

O ministro vê sinais de resiliência da atividade doméstica atualmente, com crescimento de empregos formais mesmo em meio ao que considera ser o auge da crise sanitária no país.

Não é a primeira vez que o titular da Economia faz prognósticos positivos em relação à pandemia --e nas vezes anteriores suas projeções acabaram frustradas. Guedes calculou em R$ 5 bilhões o gasto para exterminar o vírus, por exemplo. Mas só em 2020 foram usados R$ 524 bilhões em medidas contra a Covid.

Além disso, especialistas alertam para os riscos de continuidade da pandemia, inclusive no próximo ano. "Não há dúvida de que a epidemia não terá se extinguido em 2022", disse Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em entrevista à Folha na semana passada.

"A se manter esse ritmo de vacinação tão lento e um pata- mar de transmissão ainda mui- to alto, sobretudo contaminando camadas da população mais jovem, e falta de medidas restritivas, não tenho ilusão de que teremos a epidemia controlada em 2022", disse.

O alerta é feito também pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Michael Ryan, diretor-executivo da entidade, afirmou em março que é "prematuro e irrealista" falar em fim da pandemia em 2021.

A própria equipe econômica tem admitido em análises formais que a continuidade da pandemia em 2021 gerou incertezas sobre qual será a duração da crise sanitária e de suas consequências, inclusive para os próximos anos.

Tal incerteza foi mencionada pelo governo no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2022. Enviado há cerca de 15 dias ao Congresso, o texto não apresentou cálculos de impacto da Covid nas contas e mencionou dificuldades para traçar o cenário.

"Em 2021, a continuidade dos impactos advindos da pandemia da Covid-19 torna o cenário ainda bastante desafiador para a realização de projeções que envolvem a perspectiva econômica para o triênio de 2022 a 2024", afirmou o governo no texto.

"Permanece elevado o nível de incerteza para prever a intensidade, a extensão e a duração da pandemia e, consequentemente, a magnitude de seus reflexos sobre o nível de atividade econômica global e doméstica."

Por enquanto, a duração estimada para o programa de emprego é considerada adequada pelos segmentos mais afetados pela crise.

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), afirmou que o período de quatro meses de duração da medida deve dar conta para enfrentar a crise.

"Os 120 dias serão provavelmente suficientes", disse ele --que critica, por outro lado, o atraso no programa.

"Se tivesse vindo dentro do prazo de 15 dias prometido, teria sido bem mais útil e salvo muitas empresas e empregos, porque teria coberto o período de portas completamente fechadas", disse.

Apesar de o discurso pregar rápida recuperação, Guedes e equipe criaram dispositivos para renovar as medidas anticrise de forma facilitada neste ano, caso seja necessário.

O programa de emprego e o auxílio emergencial preveem em suas regras a possibilidade de prorrogação por decreto do Executivo.

Bruno Dalcolmo, secretário de Trabalho, já afirmou que pode haver prorrogação do programa de emprego. Ele lembrou que, para isso, a MP (medida provisória) do programa de emprego precisa ser aprovada pelo Congresso. O texto traz a possibilidade de renovação via decreto do Executivo.

"A expectativa é que o programa seja aprovado e que tenhamos autorização para a prorrogação do programa. Agora, isso só pode acontecer havendo disponibilidade orçamentária", disse.