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Grupo Votorantim reverte lucro e reporta prejuízo de R$ 458 milhões

Ivo Ribeiro

O principal fator do resultado negativo foi a baixa contábil na Nexa Resources, produtora de metais não ferrosos A Votorantim S.A., holding que controla os negócios da família Ermírio de Moraes, reportou prejuízo líquido de R$ 458 milhões no terceiro trimestre, comparado com lucro líquido de R$ 112 milhões um ano atrás. As demonstrações financeiras da companhia foram divulgadas nesta quinta-feira.

Divulgação

Conforme a empresa, o principal fator do resultado negativo foi a baixa contábil (redução no valor recuperável de ativos) de R$ 564 milhões realizada na controlada Nexa Resources, produtora de metais não ferrosos (zinco, cobre, chumbo, prata e ouro).

A Nexa fez uma redução nas reservas e recursos minerais em uma de suas minas no Peru, diminuindo sua vida útil. Com isso, mais baixa nos preços dos metais, a controlada divulgou há alguns dias prejuízo de US$ 171 milhões (R$ 672 milhões). A empresa tem capital aberto nas bolsas de Nova York e Toronto.

Além da Nexa, outra empresa que sofreu com os preços das commodities foi a CBA, produtora de alumínio. A companhia também reportou prejuízo no trimestre, de R$ 48 milhões.

O desempenho negativo das duas empresas, somada à queda na receita, ao aumento de despesas administrativas na Votorantim Cimentos e mais depreciação nas moedas da Argentina e Colômbia — o grupo tem produção de aço nos dois países — resultaram numa retração de 28% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, para R$ 1,2 bilhão.

Nexa e CBA contribuíram com quase toda a diferença, de R$ 400 milhões, em relação ao Ebitda de R$ 1,6 bilhão no mesmo trimestre do ano passado, disse ao Valor o diretor financeiro da VSA, Sérgio Malacrida. Da mineradora foram R$ 250 milhões e da fabricante de alumínio, R$ 120 milhões.

A receita líquida do conglomerado ficou 4% inferior ao mesmo trimestre de 2018, em R$ 8,3 bilhões. O resultado teve impacto principalmente da queda dos preços dos metais e a redução dos volumes de energia comercializada pela Votorantim Energia (VE). Em parte, a perda de receita foi compensada pelo desempenho positivo da Votorantim Cimentos (VC).

A cimenteira aumentou suas vendas de julho a setembro tanto no Brasil quanto nas operações da América do Norte. No fim do trimestre reportou lucro líquido de R$ 285 milhões, 8% maior que um ano atrás. A receita líquida subiu 2%, para R$ 3,8 bilhões. A alavancagem da VC ficou estável, em 3,2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

A área de energia registrou ganho de apenas R$ 11 milhões no período. A receita líquida consolidada da VE teve queda de 12%, para R$ 1,2 bilhão. Os números da Cesp e dos parques eólicos no Piauí, controlados pela joint venture com o fundo canadense CPPIB, são registrados na VE por equivalência patrimonial.

A joint venture, conforme o balanço da VSA, atingiu receita líquida de R$ 527 milhões e Ebitda ajustado de R$ 314 milhões, com alta de 306% e 186% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Os resultados da Cesp, adquirida no fim de 2018, passaram a ser computados no primeiro trimestre. A joint venture contribuiu com R$ 15 milhões no balanço da VE, informou Malacrida.

O Banco Votorantim, que divulgou lucro líquido de R$ 355 milhões no trimestre, e a Citrosuco, de concentrado de laranja, também reportam seus resultados na VSA por equivalência patrimonial.

A holding da Votorantim encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 11,2 bilhões, valor 16% menor do que em 31 de dezembro de 2018, com uma alavancagem de 1,79 vez o Ebitda ajustado. Com a venda da Fibria, produtora de celulose, a VSA pré-pagou dívidas próprias e da VC, reduzindo a dívida bruta em R$ 5 bilhões, para R$ 20,1 bilhões.

Investimentos

Com o portfólio de negócios ajustado, após a venda das áreas de aços longos no Brasil e de celulose para o grupo Suzano, a Votorantim voltou a investir no ritmo de R$ 3,5 bilhões por ano. Esse é o valor previsto para 2019, o que representa aumento de quase 35% em relação aos R$ 2,6 bilhões do ano passado.

No trimestre, o montante investido alcançou R$ 799 milhões. A alta foi de 35% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a empresa em comunicado.

Além dos investimentos correntes para sustentação das atuais operações, os recursos foram dedicados para expansão de negócios e modernização de instalações, visando ganhar maior competitividade, explicou Malacrida.

Segundo o executivo, os aportes em expansões estão concentrados em três projetos. O maior deles, a nova mina de zinco, chumbo e prata da Nexa, em Aripuanã, no noroeste de Mato Grosso. A mineradora também está ampliando outra mina de zinco, em Vazante (MG). Em cimento, a Votorantim Cimentos está expandindo a unidade de moagem de cimento de Pecém (CE), anunciada neste ano.

“Parte importante do programa de investimentos é em modernização de nossas instalações, para que elas obtenham maior competição no mercado”, destacou Malacrida.

Ao mesmo tempo, observa o executivo, o grupo está olhando novas oportunidades de negócios em energia, em cimento e em infraestrutura, tanto no Brasil quanto no exterior. “Nossa dívida e alavancagem estão em patamares confortáveis, nos dando condições para se posicionar quando houver algo”, disse o executivo.