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Grupo da indústria reforçará a Guedes que priorize a reforma tributária

Rodrigo Polito

Em encontro marcado com o ministro, executivos da Coalizão Indústria, que reúne 13 entidades setoriais, pretendem demonstrar apoio à política econômica do governo Os representantes das 13 entidades setoriais que integram a Coalizão Indústria classificaram como frustrante o crescimento de 1,1% do PIB em 2019, mas adotaram um discurso conciliador para o desempenho da economia do país no ano passado. Na visão deles, o resultado de 2019 é fruto de um conjunto de medidas estruturais em curso pelo governo federal, e não de ações imediatistas que não geram retorno no longo prazo. Para os executivos, a previsão atual de aumento do PIB deste ano é de 1,5% a 2%.

Os executivos da Coalizão da Indústria vão se reunir nesta tarde com o ministro da Economia Paulo Guedes, no Rio. No encontro, eles vão manifestar o apoio à política econômica do governo federal e defender a priorização da aprovação da reforma tributária.

“Olhando de hoje, aquilo que inicialmente se trabalhava de 2,5% [de crescimento de PIB para 2020], no mínimo 0,5 ponto percentual, segundo os estudos econométricos, vai ser tomado. Então entre 1,5% e 2%, olhando de agora, é um número que pode se imaginar”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, durante entrevista coletiva, realizada antes da reunião com o ministro, no Rio.

Questionado sobre o resultado do PIB do ano passado, ele concordou que o número foi frustrante, mas ficou dentro do previsto. “Tudo o que vem abaixo daquilo do que a gente espera e precisa traz uma frustração. Não achei que tenha sido uma surpresa, porque os ajustes que estavam sendo feitos na própria previsão do [boletim] Focus já vinham indicando essa queda de ritmo. Quando veio o anúncio, e o ‘pibinho’ para lá e para cá, claro que é frustrante, o Brasil tem que crescer 4% ao ano. Mas estava na conta já”, disse.

“Quando a coisa não acontece, tem sempre há busca de um culpado pelo assunto. Acho que é hora de serenidade para as lideranças privadas, muita responsabilidade daqueles que nos governam, porque não vamos engatar uma marcha forte de crescimento com acusações. Vamos engatar uma marcha forte com projetos bem definidos, com a aprovação das reformas. E, para isso, precisa sim uma boa organização e boa concatenação”, completou Pimentel.

Segundo ele, é utópico pensar em um crescimento do PIB brasileiro hoje de “3%, 4%, 5%”.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, reconheceu que o PIB de 2019 não cresceu como se imaginava, mas que medidas estruturais estão sendo tomadas pelo governo. “São coisas que não dão resposta do dia para a noite”

Apesar do apoio à política econômica, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que a relação com o governo não é tranquila, mas que tem como ponto positivo o diálogo. “No primeiro mês [de governo Bolsonaro], tivemos que fazer uma discussão sobre abertura comercial, que estava sendo feita sem se ver o ‘custo Brasil’”, disse.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo da Aco Brasil, destaca capacidade de diálogo do governo

Ana Paula Paiva/Valor

“Esse governo, apesar de todas as vocações liberais é um governo aberto ao diálogo”, afirmou Lopes. “Apoiamos a política econômica do governo, porque tem compromisso com a competitividade sistêmica”, completou.

Segundo ele, de toda a agenda econômica, o ponto prioritário para a indústria é a reforma tributária. Na visão do executivo, é importante que ela seja aprovada no primeiro semestre. “A reforma tributária é essencial para destravar o investimento”.

O presidente do Aço Brasil elogiou ainda a postura de liderança do Congresso em relação ao tema da reforma tributária e destacou o diálogo entre parlamentares, governo e indústria. “Não encaramos o processo de discussões entre Executivo e Congresso como um problema. Pelo contrário. Achamos que está aí uma solução”, disse ele, que acrescentou que a indústria tem participado das articulações no Congresso e no governo.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, também defendeu que o BNDES amplie o apoio a pequena e média empresa. “Esta seria uma saída para o investimento”.

A Coalizão Indústria reúne 13 representações setoriais que respondem por 45% do PIB, 65% das exportações manufatureiras, geram 30 milhões de empregos diretos e indiretos e pagam R$ 250 bilhões em impostos anualmente.