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#Verificamos: É falso que grupo antifascista matou crianças incendiadas nos Estados Unidos

É falso que grupo antifacista matou crianças incendiadas nos Estados Unidos - Foto: Reprodução

por GUSTAVO QUEIROZ

Circula pelas redes sociais um vídeo que afirma que o Movimento Antifacista, conhecido popularmente como “Antifa” teria ateado fogo em uma residência e, consequentemente, matado uma criança. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

É falso que grupo antifacista matou crianças incendiadas nos Estados Unidos - Foto: Reprodução

“ANTIFA MATA CRIANÇAS INCENDIADAS NOS EUA – PRÓ-DEMOCRACIA???”
Título de vídeo que circula no Facebook e que, até as 20h do dia 04 de junho, tinha sido compartilhado por mais de 8 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há qualquer registro de que uma criança tenha sido assassinada durante “ato pró-democracia” atribuído ao Movimento Antifacista, conhecido popularmente como Antifa, nos Estados Unidos. Embora haja versões conflitantes sobre um incêndio em um edifício na cidade de Richmond, Virgínia, em nenhuma delas é citada a morte de algum indivíduo.

No dia 30 de maio, segundo dia de protestos pelo assassinato de George Floyd por um policial, um edifício pegou fogo na cidade de Richmond, com pessoas dentro. O caso foi relatado de forma diferente pelo Departamento de Polícia e pelo Corpo de Bombeiros da cidade. Não existe registro da morte de uma criança.

Em vídeo publicado na página oficial do Twitter da Polícia de Richmond, o Chefe de Polícia William Smith acusou os manifestantes de colocar fogo intencionalmente no prédio. Segundo Smith, “eles [os manifestantes] nos proibiram de chegar na local. Nós [os policiais] tivemos que forçar nossa entrada para criar um caminho seguro para o Corpo de Bombeiros. Manifestantes (…) bloquearam o acesso dos bombeiros ao prédio que estava em chamas. Dentro do prédio havia uma criança”, diz.

Contudo, ele diz que os agentes conseguiram abrir espaço para a passagem dos bombeiros e que as pessoas que estavam dentro do prédio foram resgatadas.  Na coletiva de imprensa completa, publicada pela Prefeitura de Richmond, Smith diz, ainda que acredita ser inaceitável ações como essa, que sequestram uma “iniciativa legítima” sem nenhum motivo. 

O tenente do Corpo de Bombeiros, Christopher Amstrong, apresentou uma versão diferente da situação. De acordo com ele, o chamado de emergência recebido sobre um incêndio na Rua Broad se referia, na verdade, a um veículo em chamas localizado na Rua North Monroe. O fogo se iniciou no carro e se espalhou para o exterior de um edifício próximo, sem atingir a parte interna. Amstrong disse que quando os agentes chegaram no local, encontraram um pai e um filho em segurança do lado de fora do prédio. 

Segundo Armstrong, o Corpo de Bombeiros de fato encontrou resistência para chegar no local do incêndio, mas por causa de latas de lixo pegando fogo. De acordo com o tenente, apenas um único manifestante se recusou a abrir caminho para o caminhão passar. Contudo, algumas pessoas se juntaram a ele depois que o caminhão estava parado, e atiraram objetos contra o caminhão. De acordo com o bombeiro, não é possível determinar se o incêndio foi ou não intencional.

O site de checagem norte-americano Snopes verificou uma afirmação similar, e questionou os dois oficiais sobre suas diferentes versões do caso. O Departamento de Polícia de Richmond respondeu apenas que “não tem detalhes da ação, pois todos estão extremamente ocupados com os protestos”. O jornal The Washington Post publicou as diferentes versões sobre o caso. 

Informação semelhante foi verificada pelo site E-Farsas.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Chico Marés