Greve no Uruguai reivindica mudanças mais profundas ao governo de Mujica

Jorge Figueroa.

Montevidéu, 22 nov (EFE).- Os trabalhadores uruguaios realizaram nesta quinta-feira uma greve geral de quatro horas para reivindicar ao governo do presidente José Mujica "mais profundidade" nas mudanças políticas, econômicas e sociais.

Sob o lema "Por mudanças mais profundas. Para concretizar a esperança", milhares de trabalhadores marcharam pela principal avenida de Montevidéu e se concentraram a 300 metros da sede da presidência.

A greve foi convocada pelo Plenário Intersindical-Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), que em sua grande maioria está dirigido por trabalhadores ligados à coalizão de esquerda Frente Ampla (FA), a mesma de Mujica.

Marcelo Abdallah, um dos coordenadores do PIT-CNT, afirmou à Agência Efe que a mobilização teve por finalidade reivindicar ao governo a abertura de "uma agenda de concretizações programáticas" que permita "acelerar a industrialização do país e a distribuição da riqueza".

O objetivo final é "contribuir para elevar a qualidade de vida dos uruguaios", acrescentou.

Fernando Pereira, outro dos coordenadores da central operária, destacou que 700 mil trabalhadores, sobre uma população do país de 3,3 milhões de habitantes, "têm salários de 10 mil pesos (cerca de R$ 1 mil)" e conseguir que suas rendas "aumentem consideravelmente é uma prioridade".

Em declarações publicadas nesta quinta-feira pela revista "Búsqueda", Mujica disse que o governo "não tem muita margem" na política econômica e quer "tornar sustentável" o que já conseguiu.

"E o que conseguimos é um alto índice de ocupação e uma melhor redistribuição da reda", destacou.

"Falta muito? Sim, estamos de acordo", declarou o presidente. "Gostaríamos de aumentar, não em 10%, mas em 20% os salários, mas na situação na qual estamos isso prejudicaria as pessoas com menos recursos", explicou o presidente.

O desemprego no Uruguai atinge atualmente 7,1% da população, segundo números oficiais, após terminar 2011 com taxa de 5,3%, o nível mais baixo na história do país.

O dia de greve e mobilização, respaldado por milhares de trabalhadores, afetou fundamentalmente a atividade da indústria, as fábricas, parte da educação e o atendimento nas repartições públicas na capital.

A atividade no centro de Montevidéu se viu afetada principalmente pela marcha que percorreu dez quadras antes de concentrar-se nas proximidades da presidência, onde acontece o ato central.

A concentração se desenvolveu sem a presença policial e finalizou sem incidentes, mas gerou um caos de trânsito no centro de Montevidéu. EFE

Carregando...