Greve de trabalhadores em Suape é julgada ilegal

A greve dos 55 mil trabalhadores das obras da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape, no município de Ipojuca,em Pernambuco foi julgada ilegal, nesta terça-feira pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-6.região), que determinou o retorno ao trabalho a partir desta quarta-feira (14), sob pena de multa diária de R$ 500 pelo descumprimento. O tribunal alegou que o Sindicato das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem de Pernambuco (Sintepav-PE) não cumpriu os trâmites legais para a decretação da paralisação, iniciada dia 30 de outubro.

A equiparação salarial reivindicada pelos grevistas não foi objeto da ação julgada pelo TRT. Eles querem o fim do que consideram "disparidades salariais", uma vez que as várias empresas dos consórcios responsáveis pelas obras adotam políticas salariais diferentes. Assim, trabalhadores que exercem uma mesma função podem ter diferença de até 47% na remuneração.

Segundo o presidente do Sintepav-PE, Aldo Amaral, uma ação de cumprimento de cláusula coletiva será impetrada na vara da justiça do trabalho em Ipojuca, exigindo o cumprimento desta equiparação, prevista em acordo coletivo da categoria feito em agosto - assinado pela classe patronal e registrado no Ministério do Trabalho e Emprego.

"A ação judicial é a instância correta para a cobrança deste direito e isto será feito independentemente do que decidir a assembleia dos trabalhadores", afirmou ele. A assembleia para avaliar a decisão do TRT-6 e decidir os rumos do movimento será realizada na manhã desta quarta-feira(14), em Suape.

A advogada do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Margareth Rubem, disse que os empregadores estão abertos à negociação e só esperam o retorno ao trabalho para chegar a uma solução. Ela estimou que 50% dos trabalhadores da refinaria retomaram as atividades. Amaral retrucou que apenas um grupo havia voltado a trabalhar, mas recuou. "A greve é total".

Duas rodadas de negociações, em busca de um acordo entre representantes de patrões e empregados, foram realizadas com mediação do ministro do Trabalho Brizola Neto e participação do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Uma em São Paulo, no dia 10, e outra no Recife, na última segunda-feira(12). Sem sucesso. Das 32 funções exercidas nas obras, houve consenso em torno da equiparação de 25 delas. Os empregadores também não aceitaram abonar os dias parados.

Carregando...