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Greve convocada por bolsonaristas tem fake news e paralisações localizadas

CURITIBA, PR, BELO HORIZONTE, MG, SÃO PAULO, SP, E SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A greve geral convocada por bolsonaristas nesta segunda-feira (7) teve paralisações localizadas no Sul e Centro-Oeste do país, fake news sobre empresa que teria aderido e uso de vídeos de atos de 7 de Setembro. A convocação, que pedia a adesão de empresários, tinha ares de locaute (greve de empresas, hoje proibida pela legislação).

O Ministério Público do Trabalho também investiga denúncias de funcionários que estariam sendo pressionados a participar de manifestações antidemocráticas.

No estado de São Paulo, não houve fechamento de indústrias ou lojas que tenham sido notificados ao Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ou à FecomércioSP, segundo informaram as entidades à reportagem na tarde desta segunda.

A gigante de alimentos Aurora, de Chapecó (SC), afirmou que foi alvo de fake news. Vídeos e mensagens em grupos de WhatsApp e Telegram afirmavam que a cooperativa de alimentos iria paralisar suas unidades nesta segunda-feira, o que foi desmentido pela empresa, que funcionou normalmente.

"Todas as unidades agropecuárias, industriais, comerciais, centros logísticos e setores de apoio estão operando normalmente. A logística de transporte continua atendendo às demandas em todas as regiões onde a empresa atua", disse, em nota.

A empresa diz respeitar o movimento "amparado pelo princípio constitucional da liberdade de manifestação e tem demonstrado seu caráter pacífico e ordeiro". Além disso, espera que "em nome da paz social, todas as questões que emergiram nesse período pós-eleitoral sejam equacionadas pelo diálogo e pelo respeito entre os cidadãos-manifestantes e os Poderes da República", informou.

Já o Sistema Famasul, que integra a Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul, com sede em Campo Grande (MS), não teve expediente nesta segunda-feira (7). Segundo comunicado publicado em suas redes sociais, a paralisação é em apoio às manifestações "pacíficas e ordeiras" que são feitas pelo Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, a suspensão nas atividades da Famasul foi confirmada pela recepção da entidade, que informou à reportagem não haver colaborador trabalhando no local nesta segunda. A reportagem não conseguiu contato com responsável pela entidade para mais detalhes sobre o ato até a publicação deste texto.

A Famasul integra a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), além de congregar 69 sindicatos rurais e a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS).

Em nota publicada no site da entidade, no dia 2 de novembro, a Famasul fala sobre "resgate e fortalecimento dos valores da família e de um Brasil mais soberano e independente", reforçando não abrir mão do "direito de propriedade, liberdade, livre expressão, crescimento econômico e social do país".

Já nos estados do Sul, nenhuma paralisação ou impacto foram confirmados por federações de indústrias e agropecuárias consultadas pela reportagem.

Em Rondonópolis (MT), o presidente da Acir (Associação Comercial e Industrial), Renato Del Cistia, estima que 70% das empresas da cidade fecharam ou estão trabalhando em regime de plantão. Segundo ele, esta é uma percepção pessoal, e inclui empresas do ramo do comércio, indústria, agronegócio e setor de serviços.

"A associação comercial não pode, por estatuto, apoiar ou incentivar o fechamento de qualquer empresa. Mas Rondonópolis, com certeza, apoia esse movimento. Nós somos uma cidade do interior e as empresas e os empresários apoiam o movimento", afirma Del Cistia.

Segundo Del Cistia, na manhã desta segunda, houve uma carreata em apoio aos manifestantes. O movimento se concentra em frente ao 18º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha), do Exército Brasileiro.

CAMINHONEIROS DIZEM QUE NÃO ADERIRAM À CONVOCAÇÃO DE GREVE

Lideranças de caminhoneiros autônomos informaram que a categoria não participou da mobilização desta segunda e que o fluxo nas rodovias foi normal. "Dentro da categoria dos caminhoneiros, foram as grandes empresas que estiveram presentes [nos atos iniciados após o resultado das eleições presidenciais]. Transportadoras e grandes empresários. O caminhoneiro autônomo que estava nas rodovias ficou preso [nos bloqueios]", diz Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística).

No final da tarde, Santa Catarina teve o último bloqueio liberado após confronto com a polícia e a maioria dos estados tinha estradas livres. No Pará, manifestantes atacaram a PRF (Polícia Rodoviária Federal) com tiros e pedras no momento em que policiais tentavam desbloquear o trecho da rodovia, um dos últimos pontos de interdição no país. Na noite desta segunda-feira, havia obstruções em rodovias federais de quatro estados: Rondônia, Mato Grosso, Pará e Paraná.

MPT RECEBEU DENÚNCIAS DE FUNCIONÁRIOS PRESSIONADOS A PARTICIPAR DE ATOS

O MPT (Ministério Público do Trabalho) informou que está acompanhando denúncias de funcionários que estariam sendo pressionados a participar de manifestações antidemocráticas, o que é ilegal. "Se a iniciativa de fechar o negócio é do empregador, o trabalhador tem direito ao dia de trabalho", afirmou Adriane Reis de Araújo, coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades do MPT.

O órgão ainda acompanha casos de assédio eleitoral registrados após o término das eleições e reforça que dispensar, afastar ou punir o funcionário por desavença política é considerado conduta discriminatória, o que pode acarretar consequências na esfera trabalhista, sem prejuízo de outras penalidades.

Se a empresa quiser dispensar seus empregados no dia de um ato, por exemplo, ela pode, mas não pode obrigá-los a participar de quaisquer ações.