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Granizos descobertos em Júpiter podem resolver mistério de Urano e Netuno

·2 minuto de leitura

Urano e Netuno são planetas que vêm intrigando cientistas quando o assunto é a amônia. É que observações recentes, realizadas na luz infravermelha e nas ondas de rádio, mostraram que os dois planetas têm quantidades menores do composto do que se esperava em comparação aos demais gigantes gasosos do Sistema Solar. Em um novo estudo, o pesquisador Tristan Guillot propôs que esse mistério pode ter relação com a descoberta das “mushballs”, pedras de granizo de amônia e água formadas por tempestades em Júpiter.

A discrepância na quantidade de amônia detectada surpreendeu os cientistas, porque ambos os planetas são ricos em outros compostos, como o metano, que faziam parte da nuvem de gás e poeira que formou os planetas. Portanto, a quantidade de amônia pode indicar que ou esses planetas se formaram sob condições especiais, a partir de um material que também era pobre em amônia, ou havia algum outro processo em andamento.

Assim, Guillot se voltou para uma descoberta recente proporcionada da equipe científica da sonda Juno, que estuda Júpiter. “A Juno mostrou que, em Júpiter, a amônia é abundante, mas costuma ocorrer muito mais profundamente do que esperávamos graças às mushballs”, explicou ele. Então, ele demonstrou que o que foi descoberto em Júpiter pode ser aplicado também para explicar o que foi observado em Urano e Netuno.

Representação de uma mushball descendo pela atmosfera de um planeta (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/CNRS)
Representação de uma mushball descendo pela atmosfera de um planeta (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/CNRS)

Em linhas gerais, as observações da Juno mostraram que esse granizo lamacento e rico em amônia (apelidado de "mushballs") pode se formar rapidamente durante tempestades devido à capacidade de liquefação de cristais d'água por parte da amônia, que pode ocorrer mesmo em temperaturas muito baixas. Os modelos mostraram que as mushballs podem pesar 1 kg ou até mais, e elas afundam e transportam a amônia para a atmosfera profunda do planeta, onde fica presa à parte inferior das nuvens jovianas.

De acordo com Guillot, a química termodinâmica sugere que esse processo ocorre com ainda mais eficiência em Urano e Netuno, porque a região que as mushballs percorrem é mais extensa e chega a profundidades maiores. “Portanto, a amônia provavelmente está simplesmente escondida na atmosfera profunda desses planetas, além do alcance dos instrumentos que temos hoje”, disse.

Por isso, o autor acredita que para determinar até onde as mushballs estão levando a amônia e a água, serão necessários orbitadores com instrumentos apropriados, de modo que seria preciso uma missão dedicada para mapear a estrutura atmosférica desses planetas. “Urano e Netuno são um elo único entre os planetas gigantes, assim como Júpiter e Saturno, e os exoplanetas gigantes gelados que estamos descobrindo; nós realmente precisamos ir até lá!”, concluiu.

O estudo foi disponibilizado no site da edição de 2021 do congresso European Planetary Science Congress.

Fonte: Canaltech

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