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Grande SP tem previsão de chuva abaixo da média até fim do verão

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***ARQUIVO***São Paulo, SP, BRASIL, 08-09-2020:  Represa Guarapiranga, na zona sul de SP. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***São Paulo, SP, BRASIL, 08-09-2020: Represa Guarapiranga, na zona sul de SP. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo receberam neste ano, entre janeiro e outubro, em média, 25% menos chuva do que no mesmo período em 2013, ano que antecedeu a crise hídrica.

A precipitação acumulada e somada dos sete sistemas de abastecimento —Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro, São Lourenço e Cantareira— foi de 5,4 mil milímetros entre janeiro e a primeira semana de outubro de 2021.

No mesmo período de 2013, a chuva acumulada foi de 7,2 mil, segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) compilados pela Climatempo a pedido da reportagem.

Na comparação com sete anos atrás, a região tem mais um reservatório, o de São Lourenço, que começou a operar em 2018. No mesmo ano, os reservatórios da Grande São Paulo tiveram ainda mais um reforço com a interligação do Cantareira com as represas Jaguari e Atibainha.

Mesmo assim, os sistemas que abastecem a região estão 21% menos cheios do que no mesmo período em 2013, segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

O risco de desabastecimento é agravado pela crise climática com tendência de seca extrema devido às chuvas abaixo da média que vêm sendo registradas desde o último verão. A previsão dos especialistas é que o problema irá se prolongar até a estação chuvosa de 2022.

Nesta quarta-feira (13), a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) assinou termo para permitir a captação de água da bacia do rio Paraíba do Sul pelo sistema Cantareira. A estratégia foi deflagrada a pedido da Sabesp e é prevista quando o reservatório atinge menos de 30% de sua capacidade —na quarta, o sistema Cantareira atingiu 28,6% de seu volume, abaixo dos 38,6% registrados no mesmo dia em 2020.

De acordo com a chefe do Serviço de Pesquisa Aplicada do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a meteorologista Danielle Ferreira, a previsão para os próximos meses é de chuva abaixo da média, entre 5 e 10 milímetros menor do que o normal para o período. "As chuvas vão ocorrer, mas não o suficiente para compensar os meses de estiagem e o último verão mais seco do que o esperado", diz.

A mesma previsão é feita pela meteorologista da Climatempo Ana Clara Marques, que prevê entre 20% e 30% menos chuvas na Grande São Paulo entre outubro e março do ano que vem. "A preocupação maior é com o próximo período seco, a partir de junho de 2022, quando os reservatórios podem ficar abaixo do volume esperado", diz.

Segundo ela, para reverter o cenário de seca e os percentuais de armazenamento dos reservatórios voltarem a aumentar, é necessário ao menos um mês de chuvas intensas para encharcar o solo e a água voltar a encher as represas. Isso, normalmente, acontece no fim de novembro, quando começa o período chuvoso no Sudeste, mas em 2022, a previsão é que esse ciclo não se complete.

Segundo o levantamento da Climatempo, a precipitação em todos os reservatórios da Grande São Paulo está abaixo da média anual. A pior situação é dos sistemas Cotia e Cantareiras que atingiram 52% e 57% da média, respectivamente. Em 2013, no mesmo período, os dois tinham 92% e 72% da média anual.

Entre as explicações para a perspectiva de um segundo verão consecutivo com chuvas escassas está a atuação do fenômeno La Niña que impede a chegada da umidade vinda da Amazônia. Outro agravante é o resfriamento do oceano Pacífico. "Esse resfriamento faz com que o sistema que leva chuvas ao Sudeste não seja tão atuante", diz Ferreira.

Segundo Pedro Cortês, professor de pós-graduação em ciência ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, a falta de chuvas que vêm da Amazônia prejudica especialmente os sistemas Cantareira e Alto Tietê, que dependem dessa dinâmica de precipitação. De acordo com cálculos do Inmet, entre outubro e dezembro, irá chover o acumulado de até 470 milímetros na capital paulista, abaixo da média histórica de 488 milímetros para o período.

Para o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do governo estadual, Marcos Penido, essas previsões são imaturas. "Trabalhamos junto com a ANA a previsão [de chuvas] mais refinada que é de até 60 dias, e para os próximos dois meses não vai ter oferta menor do que a demanda", disse.

Há cerca de 45 dias, foi criada uma força-tarefa no governo estadual, comandada pelo vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), para analisar o impacto da seca extrema que se instalou no estado.

O monitoramento das chuvas e situação dos reservatórios passou a ser diário e feito em conjunto com representantes de diversas áreas do governo. De acordo com Penido, a preocupação com a falta de chuvas fez o governo elaborar e lançar um programa de abastecimento de água para 260 cidades paulistas que não são atendidas pela Sabesp.

Ao anunciar o programa, que prevê a perfuração de poços em 120 municípios e obras de desassoreamento em rios, no dia 7 de outubro, o secretário discursou e reconheceu o cenário de crise hídrica no estado, embora tenha afirmado depois que sua declaração foi em relação apenas às cidades que não integram o sistema de abastecimento da Sabesp.

"Crise hídrica é um jargão para falar que estamos vivendo uma estiagem severa", disse sobre seu discurso. "Nenhum município ligado ao sistema Cantareira, Alto Tietê e Rio Grande, que abastecem a região metropolitana de São Paulo, enfrenta problema de abastecimento", continuou ele.

"‹O presidente da Sabesp, Benedito Braga, também tem negado reiteradamente que há previsão de crise de abastecimento na região metropolitana. Para ele, não há perspectiva de falta de água até o final da primavera e início do verão. "Se tivermos um verão seco, vamos ter que adotar soluções mais restritivas", disse no dia 1º de outubro.

Em nota, a Sabesp informou que "a projeção aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada". Segundo a empresa, não há risco de desabastecimento neste momento na região.

"Comparando-se os índices pluviométricos atuais e os da crise hídrica de 2014, particularmente no Sistema Cantareira, é possível verificar que o cenário atual é diferente. A escassez de chuvas neste sistema em 2014 foi mais aguda. A previsão do tempo lida com questões complexas, o que dificulta prognósticos a médio e longo prazo", afirmou a empresa.

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