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"Grande divergência de financiamento" entre países ricos e pobres desacelera recuperação, diz FMI

·2 minuto de leitura
Logo do FMI em sua sede em Washington

Por Andrea Shalal

WASHINGTON (Reuters) - O crescimento econômico nos países mais pobres deve ficar atrás das expectativas pré-pandemia por anos, dadas as lacunas nas taxas de vacinação, crescimento da renda e capacidade de endividamento, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório Monitor Fiscal divulgado nesta quarta-feira.

Os níveis da dívida global subiram para um recorde de 226 trilhões de dólares em 2020, um salto de 27 trilhões de dólares em apenas um ano, o que excede em muito o ganho acumulado de 20 trilhões de dólares visto ao longo dos dois anos durante a crise financeira global de 2008 e 2009, mostrou o relatório.

Cerca de 90% desse aumento veio de economias avançadas, além da China, enquanto economias emergentes e em desenvolvimento tinham bem menos capacidade de acesso aos mercados financeiros para atender suas necessidades de gastos, e eram também mais vulneráveis ​​a possíveis aumentos de juros, disse Vitor Gaspar, chefe de política fiscal do FMI, em entrevista à Reuters.

"A grande divergência da vacina, as mudanças climáticas e a grande divergência de financiamento são problemas globais que exigem ação global", disse ele, alertando que os países de baixa renda enfrentam desafios crescentes que podem desacelerar as perspectivas de crescimento por anos.

A pandemia exacerbou as lacunas de financiamento "já consideráveis" enfrentadas pelos países de baixa renda antes da crise, disse Gaspar, acrescentando que as economias emergentes e em desenvolvimento também são mais vulneráveis ​​a mudanças nas taxas de juros.

Isso significa que elas podem ver os custos dos empréstimos subirem mais rápido do que o esperado assim que os bancos centrais começarem a remover o apoio monetário visto durante a pandemia, disse o relatório.

Segundo o relatório, no geral, cerca de 65 milhões a 75 milhões de pessoas a mais cairão na pobreza até o final de 2021 em comparação com o que seria em um cenário sem pandemia.

(Por Andrea Shalal)

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