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Governos e ativistas pedem integração entre meio ambiente e planos econômicos pós-pandemia

Máscara de proteção jogada em uma rua Rennes, oeste da França, em 9 de junho de 2020.

Autoridades de 14 países e organizações ambientais apelaram aos governos nesta quarta-feira(10) para que a proteção ao meio ambiente seja incluída nos planos de recuperação econômica pós-pandemia de COVID-19.

Uma declaração foi assinada pelos presidentes da Colômbia, Iván Duque e da Costa Rica, Carlos Alvarado, além de ministros de 12 outros países, como Espanha, Suíça, França, Gabão, Ilhas Marshall, Mongólia e Emirados Árabes Unidos.

O documento pede a preservação de pelo menos 30% das terras e oceanos do planeta e a recuperação da biodiversidade "como um passo fundamental para ajudar a prevenir futuras pandemias (...) e estabelecer as bases para uma economia global sustentável".

"A declaração busca sensibilizar os tomadores de decisão nos setores público e privado a incluir a natureza nos planos de recuperação econômica", declarou o ministro do Meio Ambiente da Costa Rica, Carlos Manuel Rodríguez, em uma videoconferência sobre o documento.

O vice-ministro colombiano de Gestão Ambiental, Roberto Esmeral, alertou na conferência que "muitos ecossistemas estão em um ponto sem volta".

"O compromisso de governos e cidadãos com os ecossistemas, para reduzir o desmatamento e a poluição, vai definir se podemos viver em um planeta sustentável", disse Esmeral.

O objetivo de proteger e gerenciar efetivamente pelo menos 30% das terras e oceanos foi inicialmente estabelecido por mais de 20 países, liderados pela Costa Rica e pela França, membros da chamada coalizão de alta ambição nas negociações ambientais internacionais.

O espanhol Enric Sala, pequisador da National Geographic, argumentou que os benefícios desse nível de proteção excedem os custos.

"A natureza contribui com US $ 125 trilhões a cada ano em serviços gratuitos, mais que o dobro do PIB global", lembrou Sala.

O chileno Alex Muñoz, diretor latino-americano da organização Pristine Seas, alertou que os governos podem ficar tentados a buscar uma recuperação acelerada da economia sem considerar os critérios ambientais.

"Podemos fazer uma recuperação verde mais justa", disse Muñoz. "Essas medidas não têm efeito imediato, mas são as únicas que alcançam a raiz do problema, de gerar crescimento com equilibrio", acrescentou.