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Governo Trump busca evitar paralisação por falta de orçamento

Por Jim MANNION
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visita ao Pentágono

O presidente americano, Donald Trump tomou a iniciativa, nesta sexta-feira (19), para chegar a um acordo de última hora, antes da meia-noite, para evitar a paralisia do governo federal diante da ausência de um orçamento.

Com o governo federal prestes a ficar sem dinheiro, na véspera do primeiro aniversário da posse de Trump, o Senado tem poucas horas para chegar a algum acordo sobre o orçamento.

Nessa sexta-feira, o mandatário se reuniu de urgência, a portas fechadas, na Casa Branca com o líder do partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, para um esforço de última hora.

"Excelente reunião preliminar no Salão Oval com o senador Chuck Schumer", tuitou o presidente, acrescentando que estão "trabalhando em soluções para a segurança" com o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, e o presidente da Câmara de Representantes, o também republicano Paul Ryan.

Pouco antes, Schumer comentou com jornalistas que houve alguns avanços no encontro com Trump, mas sem adiantar se há chance de acordo.

"Conseguimos alguns avanços, mas ainda há muitos desacordos. As negociações vão continuar", disse Schumer.

O presidente cancelou a viagem prevista para o fim de semana ao seu resort na Flórida, e permanecerá em Washington para coordenar as ações de governo caso a paralisação seja inevitável, indicou a Casa Branca.

A Câmara de Representantes havia aprovado na quinta-feira à noite uma extensão de quatro semanas do orçamento, até 16 de fevereiro, por 230 votos contra 197.

Mas as perspectivas são sombrias no Senado, onde a minoria do Partido Democrata, ansiosa para aproveitar os acordos orçamentários para resolver a questão migratória, tinha a intenção de bloquear qualquer votação.

"A lei de orçamento do governo foi aprovada na noite passada na Câmara de Representantes. Agora, é necessário ter democratas para que se aprove no Senado - mas eles querem imigração ilegal e fronteiras fracas", tuitou Trump nesta manhã.

- Paralisação da burocracia -

"Vai acontecer um 'shutdown'?", questionou, referindo-se ao fechamento de um grande número de agências federais caso o projeto de orçamento não receba um sinal verde no Senado.

Esse seria o primeiro "shutdown" (apagão do governo) desde outubro de 2013, quando 800.000 funcionários enfrentaram uma paralisação técnica durante mais de duas semanas.

"Precisamos de mais vitórias republicanas em 2018", especialmente nas eleições de meio de mandato previstas para novembro, concluiu Trump em seu tuíte.

Schumer disse na quinta-feira que se não houver acordo até esta noite deve ser feita uma medida de financiamento de mais curto prazo, que "daria ao presidente alguns dias para se sentar à mesa".

Mitch McConnell, líder republicano da maioria no Senado, disse que o projeto de lei da Câmara prevê quatro semanas de financiamento, suficientes para permitir que as negociações continuem, sem "deixar o governo no caos sem qualquer motivo".

Schumer quer "reter todo o país como refém", acusou McConnell.

Para Schumer, entretanto, McConnell "busca desviar a culpa, mas simplesmente não funcionará".

- 'É arriscado' -

O presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, pediu a Schumer para evitar uma paralisação do governo dizendo: "É arriscado. É imprudente. E está errado".

Trump começou a participar, na quinta-feira, do caos que tomou conta de Washington.

No caso de um fracasso das negociações, funcionários de agências e escritórios federais considerados não essenciais vão receber a ordem de ficar em casa até que um orçamento seja aprovado.

Escritórios centrais, como a Casa Branca, o Congresso, o Departamento de Estado e o Pentágono permanecerão operacionais, mas com equipes reduzidas.

Os militares deverão se apresentar para trabalhar, mas a tropa - inclusive as que estão em áreas de combate - possivelmente não receberão por esses dias.

Em dezembro, o Congresso já se encontrou na mesma situação, e nos últimos instantes os dois partidos fecharam um acordo para estender o orçamento até 20 de janeiro.

Mas, para um novo acordo, temporário ou permanente, os democratas insistem que a normativa inclua uma solução para os milhares de imigrantes que chegaram ao país como crianças e regularizaram sua situação pelo programa Daca, suspenso por Trump em setembro passado.

Na manhã desta sexta-feira, Ryan recorreu ao Twitter para acusar os democratas de "tomar como reféns um orçamento para o governo e um orçamento para nossas tropas".