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Governo quer favorecer empresas que contratem jovens e mais velhos por até R$ 1,5 mil

Getty Images

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Programa vai isentar empresas de contribuição para o INSS e as alíquotas do Sistema S, do salário-educação e do Incra.

  • A estimativa com essas medidas é que o custo das contratações sob o programa ficará 32% menor do que é hoje.

O governo federal está prometendo reduzir o custo das empresas nas contratações de trabalhadores com remuneração de até 1,5 salário mínimo, o equivalente hoje a R$ 1.497,00 mensais.

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A informação foi publicada pela coluna Broadcast, do jornal O Estado de S.Paulo, segundo a qual a meta é incentivar a geração de empregos no país.

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Limitando a faixa salarial para o programa, a equipe econômica pretende impedir que os benefícios sejam destinados a contratações de profissionais que encontram trabalho com maior facilidade.

O objetivo é dar oportunidade a pessoas com menor qualificação que hoje estão com dificuldades para conseguir uma vaga formal no mercado.

Além do corte por remuneração, o novo programa também terá uma faixa etária definida. As empresas poderão contratar sob esse novo modelo jovens entre 18 e 29 anos e pessoas acima de 55 anos.

Chamado inicialmente de “Trabalho Verde e Amarelo”, o programa promete livrar as empresas de pagar a contribuição patronal para o INSS (de 20% sobre a folha) e as alíquotas do Sistema S, do salário-educação e do Incra.

A contribuição para o fundo de garantia, o FGTS, será de 2%, menos que os 8% dos atuais contratos de trabalho. Não haverá mudança no valor da multa de 40% sobre o saldo em caso de demissão sem justa causa.

A estimativa com essas medidas é que o custo das contratações sob o programa ficará 32% menor do que é hoje.

A duração da desoneração total da folha será de até 24 meses. Caso a empresa deseje manter o profissional depois desse período, está em estudo uma transição, com uma espécie de escada para que a companhia retome aos poucos o pagamento das contribuições sobre a folha. A avaliação é de que, se a empresa estiver disposta a manter o profissional em seus quadros, retomar a cobrança dos encargos toda de uma vez poderia desestimulá-la a tomar essa decisão.

Nos últimos dias, a equipe econômica tem trabalhado para concluir o texto do programa, que deve ser criado por meio de Medida Provisória (MP), com vigência imediata. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, já tem conversado com lideranças do Congresso sobre os detalhes da iniciativa.

De acordo com o jornal, as companhias não poderão usar o programa para substituir o modelo de contrato dos funcionários atuais, ou seja, sobre os quais há recolhimento de tributos, e baratear o custo das empresas. Caso um trabalhador com mais de 55 anos seja demitido, por exemplo, a ideia é estipular um prazo de carência até que ele possa se recontratado sob as novas regras.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido uma desoneração ampla da folha de pagamento para todos os trabalhadores. Entretanto, isso hoje não é possível devido ao alto custo fiscal que a medida teria. Por isso, o “Trabalho Verde e Amarelo” tem sido desenhado para caber no Orçamento. Daí a necessidade de fixar faixas etárias como alvo do programa.

As medidas miram públicos que hoje estão com mais dificuldade para achar trabalho. As pessoas mais velhas, por exemplo, estão cada vez mais trabalhando ou em busca de emprego. Segundo o IBGE, 7,966 milhões de pessoas acima de 60 anos estavam na força de trabalho no 2º trimestre de 2019, 450 mil a mais do que em igual período de 2018. O número cresce à medida em que a população envelhece, ou com o retorno de pessoas mais velhas ao mercado de trabalho.

No entanto, a geração de vagas não foi suficiente para absorver todo esse contingente adicional: o número de pessoas com mais de 60 anos empregadas aumentou 397 mil, enquanto a quantidade de desempregados aumentou 53 mil. A taxa de desemprego desse grupo etário passou de 4,4% entre abril e junho de 2018 para 4,8% no segundo trimestre deste ano.

Entre 18 e 24 anos, o número de vagas geradas foi suficiente para reduzir a taxa de desemprego de 26,6% para 25,8% no mesmo período. O IBGE, porém, capta a abertura de postos tanto formais quanto informais. Isso significa que nem sempre o emprego gerado é de qualidade, com carteira assinada.

Com a desoneração das empresas, a intenção do governo é tentar incentivar a formalização do emprego, para que o trabalhador tenha acesso à aposentadoria do INSS, 13º salário e FGTS, ainda que menor.