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Governo prevê R$ 2 bilhões para realização do Censo no próximo ano

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Still de mão segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.02.2019 - Still de mão segurando uma calculadora científica. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após dois anos seguidos de cortes e adiamentos, o governo voltou a prever recursos para a realização do Censo Demográfico. O plano é reservar R$ 2 bilhões para o levantamento no Orçamento de 2022.

O valor foi divulgado nesta terça-feira (31) pelo governo ao enviar a proposta orçamentária do próximo ano ao Congresso.

O Censo estava marcado para 2020, mas foi suspenso por causa da pandemia da Covid-19. O governo tentou novamente realizar a pesquisa em 2021, mas houve mais um adiamento.

No orçamento de 2021, os recursos para o Censo, que inicialmente eram de R$ 2 bilhões, foram reduzidos e hoje somam R$ 135,6 milhões.

Esse é o valor que sobrou para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizar estudos e preparar a pesquisa.

Em março, após a decisão do Congresso de cortar a maior parte dos recursos destinados à pesquisa nacional, a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, pediu exoneração do cargo.

Diante do corte, ex-presidentes do instituto também alegaram que um novo adiamento da pesquisa deixaria "o país às cegas".

Na época, a verba para o projeto tinha sido reduzida para cerca de R$ 70 milhões. A queda foi feita por congressistas, que têm a prerrogativa de modificar o Orçamento de 2021. O movimento do Congresso foi motivado pela busca de recursos para bancar emendas parlamentares -forma que um deputado ou senador tem de enviar dinheiro para projetos e obras em sua base eleitoral.

De acordo com especialistas, o adiamento do Censo gera perda de qualidade das políticas sociais, redução na eficiência da distribuição de recursos para os municípios e descompasso nas pesquisas regulares de emprego e renda.

Entre os problemas causados pelo atraso está a distribuição de recursos públicos, já que o volume transferido nas cotas dos fundos de participação estaduais e municipais tem por base o número de habitantes de cada local.

O número de moradores ajuda a definir, por exemplo, os coeficientes de repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), uma das principais fontes de receita das prefeituras, usado sobretudo para custear a folha de pagamento. Sem a nova contagem da população, as estimativas ficam defasadas.

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