Governo português não quer mesmas condições financeiras da Grécia

Lisboa, 18 dez (EFE).- O Governo português não quer pedir as vantajosas condições financeiras que a União Europeia (UE) outorgou à Grécia para resolver o problema de sua dívida porque poderiam prejudicar a credibilidade do país perante os mercados internacionais.

O ministro das Finanças de Portugal, Vítor Gaspar, assegurou nesta terça-feira que as condições financeiras nas quais seu país se encontra são "incomparavelmente melhores" que as da Grécia graças aos progressos dos últimos 18 meses.

Durante uma audiência parlamentar, Gaspar lembrou que no começo do programa de resgate financeiro concedido pela UE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em maio de 2011, a associação da situação de Portugal e Grécia era "clara". Mas agora, ressaltou, é "evidente" a diferença entre os dois países.

"Cumprindo esse programa, Portugal continuará beneficiando-se do apoio de nossos sócios europeus", argumentou o ministro, convencido que, na Europa, "os interesses do país são defendidos melhor de forma independente e autônoma".

O Governo português expressou há algumas semanas sua intenção de negociar com Bruxelas para solicitar algumas das novas condições concedidas à Grécia para garantir a sustentabilidade de sua dívida.

No entanto, Gaspar detalhou hoje que Portugal não deve tentar obter esse tratamento porque os mercados poderiam interpretá-lo como uma aproximação de ambos países que afetaria a reputação lusa.

"Portugal não é a Grécia", insistiu, embora tenha reconhecido que as condições do mecanismo europeu de financiamento devem estar disponíveis para todos os Estados-membros.

O ministro considerou que os últimos acordos com Atenas incluem condições "muito severas", como medidas de consolidação orçamentária de 13,4 bilhões de euros no período 2013-2014.

Gaspar destacou por outro lado a importância do financiamento que o Tesouro português possa obter nos mercados, nos quais poderia economizar muitos milhões de euro em juros.

Portugal conseguiu reduzir neste ano a rentabilidade exigida pelos investidores para adquirir sua dívida soberana, que já está nos níveis anteriores ao resgate ao cotar-se a 7% de juros nos títulos a dez anos, os de referência no mercado.

No entanto, os especialistas financeiros não têm certeza que o país possa financiar-se por si só no final do próximo ano, quando terminarão os 78 bilhões de euros do resgate.

Essa soma foi concedida pela UE e pelo FMI com juros anuais de entre 3% e 4% e um vencimento médio a 12 anos.

O último acordo assinado com a Grécia, após difíceis negociações, permitirá ao Estado heleno receber uma injeção de 43,7 bilhões de euros, flexibilizar as metas de redução do déficit e o nível de dívida, assim como beneficiar-se de juros e prazos em seus empréstimos mais suaves. EFE

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