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Governo pede suspensão de filme da Netflix após acusações de pedofilia

Beatriz Vaccari
·3 minutos de leitura

Após diversas acusações de pedofilia nas redes sociais ao filme Lindinhas, que estreou com exclusividade na Netflix, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pediu a suspensão e investigação sobre sua distribuição no Brasil. O pedido foi encaminhado à coordenação da Comissão Permanente da Infância e Juventude (Copeji), justificando que o longa possui "conteúdo pornográfico envolvendo crianças".

De acordo com o ministério, no ofício assinado pela Secretaria Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, o secretário Maurício Cunha declarou que Lindinhas possui como pano de fundo "o fascínio pela dança, a busca pela liberdade, o desenvolvimento da identidade sexual e o conflito em relação a tradição religiosa de sua família."

"No entanto, de acordo com Cunha, o filme apresenta pornografia infantil e múltiplas cenas com foco nas partes íntimas das meninas enquanto reproduzem movimentos eróticos durante a dança, se contorcem e simulam práticas sexuais. O roteiro, segundo ele, pode levar à normalização da hipersexualidade das crianças em produções artísticas", informou em comunicado, segundo a Agência Brasil.

Além da suspensão do filme no Brasil, o governo pede a apuração da responsabilidade pela oferta e distribuição, destacando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como crime o ato de "vender ou expor à venda, vídeo ou outro registro que contenha cena pornográfica envolvendo criança e adolescente, punível com reclusão de quatro a oito anos e multa".

Em conteúdo para a plataforma, diretora do filme conta que se inspirou em si mesma para criar a protagonista (Imagem: Reprodução/Netflix)
Em conteúdo para a plataforma, diretora do filme conta que se inspirou em si mesma para criar a protagonista (Imagem: Reprodução/Netflix)

Lindinhas tinha sido exibido no Festival de Sundance este ano e agradado boa parte do público, o que fez a Netflix se interessar e adquirir os direitos do longa para distribui-lo globalmente. Na plataforma, possui classificação indicativa para 16 anos, com uma trama envolvendo garotas de apenas 11 anos, além do termo "conteúdo sexual" em suas palavras-chave.

À Agência Brasil, a Netflix informou que o filme é um "comentário social contra a sexualização de crianças", destacando sua premiação no festival de cinema. "É uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas enfrentam nas redes sociais e também da sociedade. Nós encorajaríamos qualquer pessoa que se preocupa com essas questões importantes a assistir ao filme", diz a nota.

Globalmente, a Netflix está sendo alvo de pedidos de boicote por conta da disponibilidade de Lindinhas no catálogo. Um abaixo-assinado foi criado no Change.org pedindo para que as pessoas cancelassem a assinatura, além das hashtags #CancelNetflix e #Pedoflix atingirem os assuntos mais comentados do Twitter na semana passada.

Fonte: Canaltech

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