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Governo negocia com bancos devolução de R$ 20 bilhões

Banco do Brasil é um dos bancos que terá que devolver dinheiro ao governo (Foto: Luiz Souza/NurPhoto via Getty Images)

O governo espera receber pelo menos R$ 20 bilhões de bancos públicos neste ano em instrumentos híbridos de capital e dívida (IHCD), um tipo de empréstimo sem prazo de validade feito durante o governo Dilma Rousseff para reforçar o capital das instituições. As informações são do Valor Econômico.

Na Caixa Econômica Federal, o estoque ao fim do ano passado ficou em R$ 40,2 bilhões. Na área econômica, a expectativa era a de que cerca de um terço disso já voltasse ao caixa do Tesouro neste ano. A ideia para devolver essa parcela maior é, além do processo de vendas de ativos que está em curso, reduzir um pouco seus índices de Basileia e realizar uma emissão de cerca de R$ 8 bilhões em Letras Financeiras, usando esse dinheiro para substituir parte dos IHCD.

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Também devolverão recursos o Banco do Brasil (BB), cujo estoque de IHCD ao fim de 2018 estava em R$ 8,1 bilhões; o Banco do Nordeste (BNB), que tinha R$ 1 bilhão; o Banco da Amazônia (Basa), com estoque de R$ 1 bilhão; e o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tinha R$ 36,5 bilhões.

Ao analisar e compreender que bancos necessitam cuidar dos seus índices de capital, o governo busca implementar essa política de retorno sem que as instituições corram risco de se desenquadrar.

O BNDES não definiu quanto devolverá do seu estoque em instrumentos híbridos. A instituição de fomento já terá que devolver R$ 126 bilhões neste ano ao Tesouro em empréstimos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende zerar ao longo do governo Bolsonaro todo o estoque de empréstimos e IHCD do Tesouro aos bancos públicos. Essas operações vão reduzir a dívida e eliminar uma suposta fonte de transferência de renda para empresas consideradas privilegiadas. Nessas operações o setor público se endivida a um custo maior para oferecer crédito mais barato por meio de suas instituições financeiras.

Do ponto de vista macroeconômico o movimento ajuda a conter a trajetória de alta da dívida pública. Mas o retorno desses recursos implica menor capacidade de oferta de crédito pelas instituições estatais.