Governo minimiza reação ao episódio da vaca louca

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz, disse nesta sexta-feira à Agência Estado que as reações internacionais ao comunicado do governo brasileiro sobre o caso não clássico de doença da vaca louca, ocorrido em dezembro de 2010 no Paraná, estão dentro das expectativas. Ele afirmou estar convicto de que a China, África do Sul e o Japão, que nesta semana anunciaram a suspensão das compras de carne bovina brasileira, devem reabrir seus mercados nos próximos meses.

Na opinião do secretário, o governo brasileiro "está indo bem na batalha da comunicação". O Ministério da Agricultura, em conjunto com a Presidência da República e o Itamaraty, está fazendo um trabalho de comunicação junto aos principais países consumidores para esclarecer que o Brasil não tem doença da vaca louca e evitar novos embargos. O governo brasileiro entrou em contato com seis países citados na imprensa como possíveis embargantes e obteve informações de que não haveria restrições, como o Irã, Egito e a Venezuela.

Entretanto, Vaz não descarta que possam surgir novos embargos, "porque o mundo tem um número muito grande de países". Ele estima que o impacto sobre as exportações brasileiras de carne bovina não deve ser grande, porque o volume de comércio diminui nesta época do ano, e acredita que as barreiras possam ser revistas a tempo da retomada do ritmo dos negócios. "A participação do Brasil é essencial para o suprimento de carne no mercado internacional", diz ele.

Vaz afirmou que, em relação à Rússia, principal mercado da carne bovina brasileira, o episódio da vaca louca não deve atrapalhar os entendimentos para retirada do embargo sobre as exportações do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Ele disse que o governo brasileiro enviou os relatórios sobre o caso para o serviço sanitário russo e que agora "é preciso tempo para amadurecer".

O secretário é taxativo ao defender que não houve caso clássico de vaca louca no Brasil. Ele lembra que a vaca de 13 anos que caiu no pasto e morreu em 24 horas no Paraná não apresentou sintomas da enfermidade, apenas era portadora da proteína responsável pela doença, que surgiu por mutação genética. Ele rebate os questionamentos sobre possíveis interesses econômicos na demora na divulgação dos resultados, argumentando que todos os procedimentos seguiram o protocolo.

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