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Governo interino da Bolívia corta relações diplomáticas com Cuba

FolhaPress

Rompimento ocorre depois de o ministro das Relações Exteriores de Cuba chamar a presidente interina da Bolívia de “golpista autoproclamada” O governo interino da Bolívia suspendeu nesta sexta-feira suas relações diplomáticas com Cuba. O rompimento ocorre depois de o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, chamar a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, de "golpista autoproclamada".

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia citou "a hostilidade permanente e os atritos constantes de Cuba contra o governo constitucional boliviano e seu processo democrático" como fatores que levaram à decisão.

Jeanine Añez se proclama presidente da Bolívia, dois dias após a renúncia de Evo Morales

Natacha Pisarenko/AP

O imbróglio entre os dois países começou em novembro, quando Parilla anunciou o fim da missão médica cubana na Bolívia. Segundo ele, o governo interino tratou mal os profissionais da ilha e alegou que eles estariam instigando protestos.

Na época, o ministro de Relações Exteriores da Bolívia disse que "houve um grande número de denúncias sobre o envolvimento de cidadãos cubanos em atos agressivos, que atormentaram nosso país nos últimos dias".

O debate foi revivido nesta quarta-feira por Áñez. Ela, que tem buscando se alinhar aos Estados Unidos, afirmou que o governo cubano retinha 80% do dinheiro que a Bolívia pagava aos médicos cubanos no país.

Áñez ainda disse que um terço dos cubanos que vieram para a Bolívia como parte do programa de saúde não têm experiência na área.

Parrilla chamou os comentários de "mentiras vulgares" no Twitter. Ele acusou Áñez de ter chegado ao poder por meio de um golpe de Estado.

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Áñez assumiu o governo após a queda de Evo Morales, em novembro passado. O líder cocaleiro, que governou a Bolívia por 13 anos, renunciou por pressão das Forças Armadas, depois que uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou irregularidades no que seria sua quarta reeleição.

Morales nega que a contagem de votos estivesse equivocada e diz ter sido vítima de um golpe de Estado. Ele, que comemorou o aniversário de sua primeira eleição na quarta, em Buenos Aires – onde se refugiou –, critica com frequência o governo interino boliviano no Twitter.