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Governo indica Eduardo Rios Neto para presidência do IBGE

NICOLA PAMPLONA
·2 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O governo indicou o demógrafo Eduardo Rios Neto para presidir o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que vive hoje uma batalha por verbas para a realização do Censo Demográfico 2020, adiado devido à pandemia do novo coronavírus. Rios Neto vai substituir Susana Cordeiro Guerra, primeira presidente do instituto no governo Jair Bolsonaro, que pediu demissão no fim de março, após o anúncio de corte de quase 90% no orçamento da pesquisa. Professor aposentado da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e membro da Academia Brasileira de Ciências, Rios Neto ocupa desde 2019 a diretoria de Pesquisas do IBGE. Foi levado ao cargo pela presidente que vai substituir. O novo presidente do IBGE assumirá o cargo em meio a críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre as estastísticas de desemprego do país. Na semana passada, o presidente repetiu questionamento feito há dois anos sobre a metodologia de cálculo do indicador. Recenseadores do IBGE demonstram como baixam os dados colhidos durante treinamento - Marcelo Justo - 6.dez.10/Folhapress "Estamos criando empregos formais mês a mês. Mas tem aumentado o desemprego por causa dessa metodologia do IBGE que atendia ao governo da época", disse em entrevista à CNN. "No meu entender, é o tipo (de metodologia) errado. Pode mudar". Ao contrário dos dados do governo, que mostram elevada geração de empregos, o IBGE viu em janeiro a pior taxa de desemprego da história de sua pesquisa, em 2012. Os dados do instituto, porém, consideram o desemprego de informais, categoria mais afetada pela pandemia. Rios Neto chegou á direção do IBGE em meio a outra polêmica, o esforço para reduzir o custo do censo, que levou à redução no número de perguntas dos questionários que serão aplicados em cerca de 70 milhões de domicílios brasileiros. A mudança gerou insatisfação entre os técnicos que já trabalhavam na elaboração da pesquisa e culminou com pedidos de exoneração de gestores envolvidos no processo, além de muitas críticas entre especialistas. Usuário dos dados do censo em sua carreira na pesquisa acadêmica, Rios Neto entende que a redução do questionário não traz prejuízos aos resultados. A gestão de Guerra reduziu o valor de censo dos R$ 3,1 bilhões iniciais para R$ 2,3 bilhões. Mas nem mesmo esses recursos devem ser entregues ao instituto, já que o relator da lei orçamentário separou apenas R$ 70 milhões para a pesquisa. A decisão inviabiliza a realização do censo em 2021 e o IBGE suspendeu concurso para a contratação de 181,9 mil trabalhadores temporários. Realizado a cada dez anos, o Censo Demográfico prevê entrevistas em todos os domicílios brasileiros, com o objetivo de recolher informações sobre demografia, rendimento e acesso a serviços, entre outras, que são usadas para definir políticas públicas. Guerra foi a segunda mulher a presidir o IBGE e a pessoa mais jovem a ocupar o posto. Antes, trabalhou como economista no Banco Mundial.​