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Governo federal ignorou proposta da Pfizer para fornecimento de vacina contra covid

Ana Paula Ramos
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ANKARA, TURKEY - OCTOBER 27: A health care worker holds an injection syringe of the phase 3 vaccine trial, developed against the novel coronavirus (COVID-19) pandemic by the U.S. Pfizer and German BioNTech company, at the Ankara University Ibni Sina Hospital in Ankara, Turkey on October 27, 2020. This vaccine candidate, within the scope of phase 3 studies, was injected to volunteers in Ankara University Ibni Sina Hospital. (Photo by Dogukan Keskinkilic/Anadolu Agency via Getty Images)
Vacina contra coronavírus desenvolvida pela Pfizer teve 90% de eficácia nos testes (Photo by Dogukan Keskinkilic/Anadolu Agency via Getty Images)

Em entrevista à revista Veja, Carlos Murillo, CEO da Pfizer Brasil, afirmou que a empresa enviou uma proposta de fornecimento da vacina contra o coronavírus ao governo do presidente Jair Bolsonaro, em agosto, e que nunca recebeu resposta.

Murillo relatou que, após várias reuniões com integrantes do governo, incluindo do Ministério da Saúde e da Economia, a Pfizer fez uma proposta formal de fornecimento da vacina ao Brasil, sujeita à aprovação regulatória. Segundo ele, o acordo ia permitir vacinar milhões de brasileiros.

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A expectativa da companhia é disponibilizar doses já em 2020. Assinaram acordos com a empresa Estados Unidos, Japão, Canadá, países da comunidade Europeia, Chile, Peru, Costa Rica, entre outros.

“Uma das coisas que sabemos, pela quantidade que nós conseguimos produzir, e também as outras empresas, é que, sobretudo nesta primeira etapa, não vai ter vacina suficiente para o mundo todo. Então essas negociações de compra avançada permitem seguir de maneira mais justa. Trabalhamos com diferentes governos para entender quais seriam os primeiros a receber a vacina e alocar o quantitativo necessário nos diferentes países”, disse.

Como não houve resposta do governo federal, a Pfizer passou a negociar com os governos estaduais, mas com previsão de entrega para o começo de 2021.

O Ministério da Saúde atualmente tem parceria com a iniciativa COVAX Facility, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com previsão de 40 milhões de doses, e com a AstraZeneca/Oxford, para fornecimento de 100 milhões de doses, no primeiro semestre de 2021.

Além dessas doses, no segundo semestre do ano que vem, governo anunciou que ia produzir 165 milhões de doses da vacina de Oxford, desenvolvida no Brasil pela Fiocruz.

Bolsonaro mandou cancelar a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina do laboratório chinês Sinovac e desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan. O anúncio havia sido feito pelo Ministério da Saúde em reunião com os governadores.

"Nós entendemos os esforços do governo brasileiro e a parceria com a AstraZeneca. Porém eu acredito que, neste momento, o país não pode apostar tudo em uma só alternativa. O que os países estão fazendo é ter opções. O Chile assinou com a Pfizer, com a Astrazeneca e com a Covax Facility. Com esses três acordos, o Chile já garantiu 30 milhões de doses, o suficiente para toda a sua população”, exemplificou Murillo.

Testes realizados mostram que a vacina da Pfizer é 90% eficaz contra covid-19. A vacina foi testada em 43,5 mil pessoas de seis países e, em setembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou que seus testes clínicos fossem ampliados no Brasil, de mil para dois mil testes em voluntários.