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Governo espanhol culpa máfias por mortes de migrantes na fronteira com Marrocos

AP - Javier Bernardo

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, culpou as "máfias" neste sábado (25) pela tentativa de milhares de migrantes de atravessar a fronteira entre Espanha e Marrocos, em Melilla, que resultou na morte de 18 deles do lado marroquino.

"Se há um responsável por tudo o que parece ter acontecido naquela fronteira, são as máfias que traficam seres humanos", disse Sánchez em entrevista coletiva em Madri, antes de elogiar a colaboração das forças de segurança marroquinas para impedir a travessia.

Sánchez disse que foi um "ataque violento (...) a uma cidade que é território espanhol. Portanto, foi um ataque à integridade territorial de nosso país". "Também quero lembrá-los que a polícia marroquina trabalhou em coordenação com as forças e órgãos de segurança do Estado para repelir esse ataque violento", continuou.

As vítimas morreram "na confusão e quando caíram da cerca" que separa o enclave espanhol do território marroquino, explicou uma fonte das autoridades marroquinas, mas grupos de direitos humanos no país do norte da África pediram uma investigação independente sobre o ocorrido.

"Pedimos uma investigação rápida e transparente", disse à AFP Mohamed Amine Abidar, presidente da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) em Nador, no norte do Marrocos. O presidente da cidade autônoma de Melilla, Eduardo de Castro, foi mais longe e condenou a resposta do Marrocos para conter os imigrantes.

"Estes subsaarianos invadiram um território de forma violenta, não é a primeira vez, mas é preciso pesar e ter uma certa proporcionalidade por parte do Marrocos", disse De Castro à televisão pública espanhola TVE.

Na mesma linha, o partido de extrema esquerda Podemos, aliado de Sánchez, criticou a resposta marroquina. A responsável de Relações Exteriores da sigla, Idoia Villanueva, se referiu ao ocorrido como "um dos mais graves abusos humanitários da história da nossa fronteira sul".

Volta da calma

A calma voltou neste sábado a Nador, cidade que faz fronteira com o enclave espanhol, e nas proximidades da alta cerca de ferro que separa o território marroquino de Melilla, segundo jornalistas da AFP.

Não havia vestígios de imigrantes na cidade. Segundo Abidar, "teriam se afastado por medo de serem retirados pelas autoridades marroquinas", geralmente para o sul do país. Uma testemunha viu vários ônibus levando os migrantes para fora de Nador. Do lado espanhol, trabalhadores reparavam os danos na cerca fronteiriça.

As autoridades marroquinas, que haviam relatado inicialmente cinco mortos, indicaram posteriormente que "treze migrantes em situação irregular no ataque à cidade de Melilla sucumbiram aos ferimentos graves durante a noite".

Quanto aos danos sofridos pelas forças de segurança, as autoridades marroquinas afirmaram que 140 agentes ficaram feridos, cinco deles em estado grave, e as autoridades espanholas que 49 policiais tiveram ferimentos leves.

Foi a primeira grande tentativa de entrada ilegal desde que Madri e Rabat superaram uma crise diplomática e, segundo as autoridades marroquinas locais, foi "marcada pelo uso de métodos muito violentos por parte dos migrantes".

As últimas tentativas de entrada em massa na Espanha por um dos seus enclaves norte-africanos (Ceuta e Melilla) foram no início de março, antes do fim das tensões nas relações hispano-marroquinas.

(Com informações da AFP)

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