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Governo escala relações públicas ambiental contra fuga de investidores

GUSTAVO URIBE E RICARDO DELLA COLETTA
·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* XAPURI, AC, 27.11.2019 - Queimada em área desmatada no seringal Albracia dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri, no Acre. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
*ARQUIVO* XAPURI, AC, 27.11.2019 - Queimada em área desmatada no seringal Albracia dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri, no Acre. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

Na tentativa de diminuir o desgaste na imagem do Brasil, Jair Bolsonaro escalou empresas de relações públicas no exterior para fazer uma ofensiva de comunicação sobre veículos estrangeiros.

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A ideia é tentar evitar uma fuga de investidores estrangeiros diante do crescimento das queimadas.

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Em junho, primeiro mês do período de seca, houve aumento de 18,5% no número de focos de incêndio em relação ao mesmo período de 2019.

O movimento tem sido coordenado pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e visa tentar minimizar os dados causados à reputação do país diante do aumento do desmatamento na amazônia.

A estratégia do Palácio do Planalto será municiar com peças de publicidade empresas de relações públicas nos Estados Unidos, na Europa e Ásia, com as quais a Apex mantém contratos. A ideia é que, a partir de agora, os escritórios internacionais priorizem a área ambiental.

Segundo relatos feitos à reportagem, o presidente irá encomendar à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), conglomerado estatal de comunicação, campanhas publicitárias sobre o esforço do governo federal para reduzir as queimadas na Amazônia.

Os conteúdos produzidos serão distribuídos às empresas de relações públicas, que tentarão replicá-los em veículos de comunicação estrangeiros, sobretudo da União Europeia, onde o governo brasileiro identificou maior abalo da imagem do Brasil.

A avaliação no governo é a de que a percepção no exterior é que a atual gestão não está comprometida com a preservação ambiental, o que hoje seria um entrave para a atração de investimentos e para a promoção de exportações.

As empresas de relações públicas deverão divulgar medidas de proteção ambiental, fazer contatos com a imprensa estrangeira e difundir press-kits e comunicados a veículos de comunicação.

Embora o presidente da Apex, Sergio Segovia, já tenha colocado a estrutura de relações públicas à disposição, o lançamento da estratégia ainda depende da articulação com o Ministério das Comunicações, responsável pela EBC.

Além de uma ofensiva sobre a imprensa estrangeira, o Planalto também pretende explorar a temática ambiental em feiras e eventos internacionais nos quais o Brasil deverá ter participação.

Um deles é a exposição universal de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Inicialmente, o evento estava previsto para este ano, mas foi adiado para 2021 por causa da pandemia do novo coronavírus.

O Brasil deve contar no evento com um pavilhão. A ideia é que o espaço seja usado para divulgar iniciativas de proteção ambiental e de produção agrícola sustentável, em uma abordagem direcionada a investidores.

Em paralelo, o Ministério do Meio Ambiente prepara um decreto que proíbe por 120 dias a realização de queimadas na floresta amazônica.

A medida, que foi adotada por 60 dias em 2019, visa tentar reduzir o desmatamento na região amazônica durante o período da seca.

A proibição foi discutida em reunião, promovida na terça-feira (7), no Palácio do Planalto, com a participação dos Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e das Relações Exteriores.

A iniciativa foi revelada pelo jornal Valor Econômico e confirmada nesta quarta-feira (8) pela Folha de S. Paulo.

Segundo assessores presidenciais, ela ainda está em fase de avaliação e deve ser publicada até o fim do mês.

O decreto é uma das respostas do governo brasileiro às críticas de investidores estrangeiros em relação à atual política ambiental brasileira.

Em carta aberta, empresários que detêm US$ 3,7 trilhões em ativos administrados ao redor do mundo criticaram a posição do país em relação à floresta amazônica.

O documento gerou preocupação no presidente, que solicitou à equipe ministerial uma reação imediata ao documento.

O Planalto também identificou reação negativa no exterior à informação de que a Amazônia tem 23% da floresta em terras públicas registradas ilegalmente como propriedades privadas.

Como reação, Bolsonaro prepara um pacote de medidas para tentar acalmar investidores estrangeiros. Ele está sob o comando do vice-presidente, Hamilton Mourão, coordenador do Conselho da Amazônia.

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