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Governo eleva projeção oficial do PIB de 0,85% para 0,9%

FÁBIO PUPO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério da Economia elevou a previsão oficial para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2019 de 0,85% para 0,9%. Para 2020, a projeção passou de 2,17% para 2,32%.

A visão expressa pela equipe econômica nas últimas semanas era que fatores como a liberação dos saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) levariam a uma melhora nas previsões em novembro para os atuais 0,9%.

Na visão da pasta, os dados também têm mostrado que os investimentos privados têm sido favorecidos pela melhora no ambiente de negócios decorrente do processo de ajuste nas contas públicas e da queda dos juros.

“Estamos em um processo de recuperação fiscal onde a redução do gasto público favorece o crescimento econômico”, afirmou Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica.

“O setor privado já mostra um sinal de dinamismo. Antes você tinha um governo liderando o crescimento econômico, que agora é liderado pelo setor privado”, disse.

O secretário disse acreditar em uma surpresa positiva para a atividade no ano que vem. “Os dados mostram hoje que, de maneira consistente, estamos retomando um crescimento de longo prazo de forma sustentável”, afirmou.

As declarações sobre a retomada de investimentos contrastam com os eventos mais recentes que testaram a disposição de aportes de empresas no país.

Dois leilões de petróleo feitos pelo governo nesta semana, o da cessão onerosa na quarta-feira (6) e da 6ª rodada de partilha do pré-sal nesta quinta (7), acabaram sem propostas de consórcios liderados pela iniciativa privada.

Apenas três das nove áreas ofertadas foram arrematadas e, ainda assim, pela estatal Petrobras (sozinha ou liderando consórcios com participação minoritária de chineses).

Sachsida ponderou afirmando que é preciso averiguar as causas da ausência de propostas privadas nos leilões recentes. “Temos que olhar se o desenho do leilão foi o mais adequado e o quanto a questão da partilha [modelo em que parte da produção é compartilhada com a União] está afetando”, disse.

Perguntada sobre onde a retomada dos investimentos privados está sendo observada, a equipe cita setores como o da construção civil. “Está muito aquecido. Em São Paulo você vê três ou quatro lançamentos por rua”, disse Vladimir Kuhl Teles, subsecretário de Política Macroeconômica.

Ele diz que o setor de serviços também está em recuperação, graças à liberação de saques do FGTS e à redução da inflação. Além disso, a equipe percebe melhoria no agronegócio.

O Orçamento de 2019 foi elaborado no ano passado pela equipe econômica do governo de Michel Temer, com uma previsão de crescimento de 2,5%. O mercado estava alinhado à estimativa. As perspectivas, no entanto, começaram a se deteriorar já nos primeiros meses do ano.

Em março de 2019, a equipe econômica cortou a projeção oficial para 2,2%; em maio, para 1,6%; em julho, para 0,81%; e em setembro, aumentou para 0,85%.

O mercado atualmente prevê um crescimento de 0,92% para o PIB em 2019, de acordo com o último boletim Focus (compilado pelo Banco Central). Para 2020, a previsão dos analistas é de crescimento de 2%.

Em tese, o aumento na projeção do PIB eleva a previsão de arrecadação do governo por uma atividade mais aquecida e favorece a liberação de recursos contingenciados. Como a melhora nesse caso é vista no fim do ano, no entanto, o aumento nas receitas é limitado.

Para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a projeção para 2019 diminuiu de 3,62% para 3,26%. No caso do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), de 3,67% para 3,26%. Para 2020, a previsão é de 3,53% para o IPCA e de 3,54% para o INPC.

No relatório elaborado pela Secretaria de Política Econômica, o Ministério afirma que os novos parâmetros vão servir como base para a modificação do projeto de lei orçamentária anual (PLOA) de 2020 já enviado ao Congresso e para o relatório de avaliação de receitas e despesas do quinto bimestre (que deve liberar recursos, segundo informado nesta semana).